A VOZ DO MILITANTE: Camarada Américo da Silva

“OS MILITANTES QUE TÊM CARGOS DE GESTÃO DEVEM DAR EXEMPLO”.

PortalMPLA, 30 AGOSTO 18 (5ª FEIRA) - A voz de hoje é a do camarada Américo da Silva, de 65 anos de idade, director da Comissão de Disciplina e Auditoria do Comité Central do MPLA.

Recolha: Josué António

Como se chama, onde nasceu e que idade tem?

Chamo-me Américo Afonso da Silva, natural de Caculo-Cahenda, município de Bula-Atumba, província do Bengo, litoral-norte de Angola. Tenho 65 anos de idade.

Qual a sua profissão e ocupação actual?

Sou professor de profissão. Estou requisitado pelo Partido, há muito tempo. Hoje, sou membro do Comité Central e director da sua Comissão de Disciplina e Auditoria.

Quando é que ingressou nas fileiras do MPLA, que cargos já exerceu no Partido e em que CAP está enquadrado?

Ingressei nas fileiras do MPLA em 1974, em Luanda, quando cumpria o serviço militar obrigatório no então exército colonial português. Aderi por causa da justeza que defendia e defende até hoje. Sinto-me bem neste Partido. Milito no CAP n.º 60 do distrito urbano da Maianga, com tendência para transferência para o distrito urbano do Kilamba, na Cidade do Kilamba, em Luanda.

Quais as razões, que o motivaram a ingressar nas fileiras MPLA e a manter-se como militante do Partido?

O MPLA, já naquela altura, tinha dois programas: um mínimo e outro maior: No momento em que o regime colonialista português era atroz contra os angolanos, o MPLA já defendia o seu derrube, através de uma luta de libertação nacional e demarcando-se, de forma inequívoca, dos interesses estrangeiros, que pretendiam manter o povo angolano numa situação de submissão.

Naquela altura, todo o angolano que se prezasse teria que aderir ao MPLA. Jovem que eu era em 1974, com 22 anos de idade, tinha de aderir somente há este movimento.

Em 1975, atingiu-se o Programa Mínimo e a aplicação do Programa Maior foi interrompida, porque os inimigos Pátria angolana impuseram-nos uma guerra. Depois da proclamação Independência Nacional, Angola foi invadida por forças externas e o MPLA e o povo tiveram de travar as várias invasões militares, o que perdurou até 2002.

Já participou em algum Congresso do MPLA? Se sim, em qual ou quais e que experiência colheu?

Dos sete congressos ordinários que o MPLA já realizou, participei em quatro e, dos cinco extraordinários, em dois. Foram momentos de grandes movimentos no Partido e de análise da situação do País, à medida de cada momento.

O que espera das medidas a serem tomadas pelo 6.º Congresso Extraordinário do MPLA, a ter lugar a oito de Setembro próximo?

O 6.º Congresso Extraordinário vai marcar uma nova era, com a mudança na liderança do MPLA, porque é um momento em que vamos eleger um novo Presidente do Partido, no caso o Camarada João Lourenço.

Tendo já sido eleito Presidente da Republica de Angola, foi também determinado que ele deve assumir a Direcção do Partido.

Os militantes devem acreditar e confiar neste processo, para que o resto dos angolanos siga o exemplo. É necessário que os militantes estejam cada vez mais coesos, em torno do Partido e dos seus dirigentes.

Como recebeu a notícia da aprovação da candidatura do Camarada João Lourenço, ao cargo de Presidente do MPLA, o que acha dessa escolha e o que espera da sua liderança?

Recebi a notícia da indicação do Camarada João Lourenço com muita alegria. Em determinadas circunstâncias, a mudança, em princípio, provoca o desenvolvimento. Como disse o Camarada Presidente José Eduardo dos Santos, numa das reuniões do Comité Central do MPLA, “tudo o que tem princípio tem fim”, referindo-se à necessidade de se dar lugar a uma outra pessoa em sua substituição.

Desejo tudo de bom ao Camarada João Lourenço, no exercício de tamanha responsabilidade. É uma missão muito difícil, mas que não é impossível. Contudo, não poderá realizá-la sozinho. Todos angolanos devem ajudá-lo, fazendo cada um a parte que lhe toca.

Se é professor, deve dar aulas, transmitindo conhecimentos sólidos, que permitam que o aluno saia da escola conhecedora da matéria. Se é enfermeiro, deve estar no hospital ou no centro médico, para tratar dos doentes, com humanismo, sem olhar para quem. Se é funcionário público, deve atender o público, independentemente de quem se trate.

O que tem a dizer sobre o papel do Camarada Presidente José Eduardo dos Santos na liderança do MPLA, nos últimos 38 anos e que mensagem dirige para ele?

Não há palavras que possam expressar a dimensão do trabalho que o Camarada José Eduardo dos Santos fez para Angola. Devo dizer que é o que mais sofreu, no corpo e na alma. Toda a dor por que passaram os angolanos, foi ele que passou durante cerca de 38 anos, privado da sua família, para dedicar-se à resolução dos problemas do País. As homenagens que a Direcção do MPLA, os militantes do Partido e a sociedade civil estão a realizar são merecidas.

Viva o Camarada Presidente José Eduardo dos Santos. O combate à corrupção é uma das bandeiras do MPLA.

Acredita no seu êxito em Angola, durante o presente mandato 2017/2022?

O combate à corrupção é o apanágio do MPLA e do Camarada João Lourenço, neste mandato. Acredito no êxito deste combate. No entanto, é preciso começar e persistir, é preciso estarmos determinados.

É um processo. É necessário que todos nós, nos nossos actos de gestão da coisa pública, ajamos com a consciência de que a coisa pública é de todos os angolanos.

Que mensagem dirige aos militantes do Partido e ao povo angolano, no actual momento do País, em que o MPLA pretende melhorar o que está bem e corrigir o que está mal?

Recordo aos militantes do MPLA, em particular e aos angolanos, em geral, que o País está atravessar um momento difícil, em que os parcos recursos de que dispõe devem ser utilizados com racionalidade, principalmente por aqueles que têm a responsabilidade de os gerir.

Os militantes que têm cargos de gestão devem dar exemplo.

Os militantes devem estar mais unidos em torno do MPLA e, deste modo, contribuírem para a coesão do Partido.

Estamos a viver um momento de institucionalização das autarquias e devo dizer que o gradualismo, a que se refere a Constituição da Republica de Angola, está a precaver a realização de um processo sério, tendo em vista a sua eficácia.

Temos que ter em conta a máxima que diz que “quem muito abarca, pouco aperta” ou quem quer chegar deve ir devagar.

/JA/AB

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