MPLA NO PARLAMENTO: “Lutamos contra o pesadelo da amnésia colectiva”

Declaração de Voto sobre os feriados nacionais, apresentada pelo deputado Victor Kajibanga (foto), na Plenária Extraordinária de nove de Agosto de 2018.

PortalMPLA, 15 AGOSTO 18 (4ª FEIRA) – “Ao longo da nossa história gloriosa, nacionalista e patriótica, nós, o MPLA, sempre lutámos contra o pesadelo da amnésia colectiva.

O nosso voto favorável à aprovação da Lei de Alteração dos Feriados Nacionais, Locais e Datas de Celebração Nacional foi mais um desses combates contra a perda da memória, um combate pelo direito à memória, pelo patriotismo, pela glorificação dos nossos heróis e das nossas tradições, pela projecção de imagens positivas da nossa gesta gloriosa, numa só palavra, um combate pela verdade histórica e pelo humanismo.

Temos plena consciência que a força da nossa identidade nacional crescerá, porque com a aprovação desta lei, criamos e renovamos, hoje como no passado, um vínculo emocional entre o povo, a Pátria e a Nação, entre o passado, o presente e o futuro e entre os mortos, os vivos e as gerações vindouras. Votamos favoravelmente porque este vínculo é um dos propósitos desta lei e um dos princípios defendidos pelo MPLA.

Senhor presidente, Ilustres colegas, Dignos representantes do Titular do Poder Executivo, Caros compatriotas!

A lei que acabamos de aprovar contempla vários feriados nacionais, bem como várias datas de celebração nacional.Gostaríamos de realçar o 23 de Março, que, doravante, passa a ser feriado nacional – o Dia de Libertação da África Austral.

São três os grandes eventos históricos que marcaram o destino comum dos povos africanos, designadamente: a escravidão, o colonialismo e o apartheid.

São esses três eventos históricos, igualmente inscritos na memória colectiva e partilhada dos povos da África Austral, que marcaram, de forma indelével, o nosso passado comum e interpelam as nossas consciências para um futuro de união e de esperança. Quis a história que o destino do apartheid fosse decidido em solo angolano.

A batalha heróica do Cuito-Cuanavale libertou a humanidade do apartheid, o último fardo da humanidade. Por isso, os angolanos, que decidiram o desfecho desta batalha, a favor da Humanidade, cumpriram uma missão inscrita na profecia da Humanidade.

Não temos, nem podemos, ter a mínima dúvida sobre esse facto: a partir dos feitos gloriosos dos angolanos, no dia 23 de Março de 1988, a História da África Austral, a História de África e a História Universal passaram a ter duas grandes eras – a era de antes de 23 de Março de 1988 e a era de depois de 23 de Março de 1988.

Cuito-Cuanavale foi uma batalha épica pelo princípio de igualdade dos homens e das nações, cujos feitos heróicos extravasaram as nossas fronteiras. De facto, Angola foi a trincheira firme na luta pela libertação dos povos africanos colonizados e oprimidos na segunda metade da década de 1970 e nas décadas de 1980 e 1990.

A bem da memória colectiva, temos de assumir que a Batalha do Cuito-Cuanavale foi o ponto mais alto desse percurso, dessa missão histórica de Angola ao serviço da Humanidade. Por mais esta razão, votamos favoravelmente para reafirmarmos, mais uma vez e sempre, o nosso compromisso com o Pan-africanismo e com a Humanidade.

Excelências, Minhas senhoras e meus senhores!

Os feriados nacionais, plasmados na lei que acabamos de aprovar, são vectores da nossa identidade nacional, meios de transmissão de valores nacionais e da imagem nacional de Angola. Votamos SIM, porque o MPLA sempre defendeu uma identidade nacional e uma cultura nacional genuínas e partilhadas.

Neste caso, o nosso voto vai ao encontro dos consensos reunidos nas várias plataformas dos países da SADC, à luz das decisões do Comité Ministerial do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança, que recomendam a adopção do 23 de Março de 1988 como Dia de Libertação da África Austral.

O nosso país sofreu várias tragédias; as piores foram as guerras do período pós-independência e pós-eleições de 1992.

Depois dessas tragédias, um dos perigos que poderemos enfrentar será o incitamento para o branqueamento da história e a falta de mentes para herdar, para comemorar, para festejar, para lembrar os feitos históricos do povo angolano.

Infelizmente, parece ser essa a nova batalha e o maior investimento dos nossos adversários políticos. Finalmente, Excelência senhor presidente, NÓS, o MPLA, assumimos o combate pela verdade histórica como um dos maiores desafios das angolanas e dos angolanos no século XXI.

Ao longo da nossa gloriosa história nacionalista e patriótica ao serviço da Pátria Angolana e da Humanidade, sempre defendemos a união, a unidade e a coesão dos angolanos e dos africanos, que é, também, um dos propósitos da lei que acabamos de aprovar.

O nosso voto favorável à aprovação da lei é o reiterar do nosso compromisso com a Paz, uma Paz que se quer perpétua. O nosso voto é uma homenagem a todos os angolanos e todos os combatentes que se bateram pela liberdade e pela libertação da África Austral, a quem rendemos, assim, a nossa profunda homenagem”.

/DIP CC

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