Da partilha de África à tendência da sua repartilha

Comentário de: Lino Botelho de Oliveira.

 

Luanda, 29 MAIO 15 (6ª FEIRA) - A divisão de África resultou das reivindicações europeias, em conflito, ao vasto Continente africano, no decurso do neo-imperialismo, entre a década de 1880 e a chamada primeira guerra mundial, em 1914.

Na partilha de África estiveram envolvidos a França e o Reino Unido fundamentalmente, bem como a Itália, a Bélgica, a Alemanha, Portugal e Espanha e, com menos intensidade, os Estados Unidos da América, pois, foi através deles que se fundou a Libéria.

Reza a história que, na segunda metade do século XIX, assistiu-se a transição do colonialismo para um domínio mais directo dos territórios ocupados, dando aso ao surgimento da Conferência de Berlim, realizada entre 19 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885, cujo objectivo foi o de talhar a ocupação de África pelos colonialistas europeus, partilha essa que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e familiares dos povos do continente berço.

A proposta do congresso para a partilha de África partiu de Portugal e organizado por Bismarck da Alemanha, tendo participado nele a Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos, Suécia, Áustria, Hungria e o Império Otomano.

Portugal apresentou nessa conferência o famoso mapa cor-de-rosa, que tinha por base a ligação de Angola a Moçambique, pretensão que, mais tarde, foi rejeitada pela Inglaterra, ameaçando guerra, se o proponente não findasse com o projecto. Portugal, com medo, retrocedeu.

Como consequência desse congresso, a Grã-Bretanha passou a exercer a administração colonial de toda região da África Austral, excepto Angola e Moçambique e a Namíbia, toda a África Oriental, menos o Tanganica e compartilhou a costa ocidental de África com a França, Espanha e Portugal.

O Congo, território que estava no centro da disputa, continuou a ser “propriedade” da Associação Internacional do Congo, que tinha como accionista principal Leopoldo II, Rei da Bélgica, que usou das tácticas mais desumanas contra a população nativa.

Como corolário da Conferência de Berlim – Conferência do Congo em alemão - os europeus fizeram de África um corpo inerte onde cada abutre viesse debicar o seu pedaço, parafraseando o Dr. António Agostinho Neto, Presidente fundador do Estado angolano.

Mas, como não há mal que dure para sempre, África gerou filhos que foram tomando consciência da gravidade em que se encontravam, tendo, aos poucos, partido para a luta contra o ocupante estrangeiro. Entre “eles” e “nós”, triunfou o Nós. É esse Nós que é preciso saber preservar, para que as gerações vindouras não percam as nossas independências nacionais, porque os europeus e não só, tudo fazem para nos destronar.

Com efeito, a Aliança Livre Europeia, que diz ter escrito à Sua Excelência Senhor Presidente da República de Angola, Eng.º JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS e demais instituições do Estado angolano, dentre eles partidos políticos, em consequência do encontro havido com os membros do movimento protectorado da Lunda, ao que parece residentes na Europa, não deixa de ser uma atitude perigosa e reprovável, face aos argumentos que apresentam, pois, o que tais embaixadores europeus pretendem é ver se conseguem fazer de Angola uma ex-Jugoslávia, Síria ou Líbia, o que a tornaria enfraquecida, para melhor pilharem as nossas riquezas.

A República de Angola tem um Parlamento, com deputados de diferentes partidos políticos e, acredito que nenhum dos nossos deputados são cicerones dos deputados e diplomatas de Bruxelas.

Quando alguém desse parlamento fazia da antiga Jamba, onde quase morria de acidente aéreo, uma estância “turística” para o carregamento de marfim, de certeza que, pouco ou nada se inquietou com as cubatas então aí existente.

O que essa Aliança Livre Europeia pretende é manter vivo o legado de David Livingstone, Henry Stanley, Pierre Savorgnan de Brazza e de tanta outra escumalha externa e, infelizmente, interna, que ensoparam o solo africano de CADÁVERES, a coberto da “democracia” e da “civilização ocidental”.

As populações do leste de Angola e, de modo geral, o povo angolano, gradualmente têm vindo a sair das condições difíceis que herdaram não só da sombra colonial europeia, mas fundamentalmente da guerra arrasadora que, durante 27 anos, isto é, desde 1975 a 2002, ceifou angolanos e empreendimentos cruciais à sobrevivência do Homem. O Caminho-de-Ferro de Benguela, já reabilitado desde Lobito ao Luau, é um exemplo vivo que, provavelmente, esteja a perturbar os diplomatas de Bruxelas.

Para evitar os problemas que podem vir acontecer no futuro e para o desenvolvimento da própria região, segundo tais diplomatas e deputados, convém recordar que os governos da região, nomeadamente de Angola, do Botswana, da Zâmbia e da Namíbia, têm vindo a trabalhar para que os seus povos tenham uma vida diferente daquela que o apartheid, associado ao colonialismo europeu, negaram a milhões de africanos. Essa é a realidade.

Por conseguinte, o que a Aliança Livre Europeia, mais os seus diplomatas e deputados devem fazer é deixarem LIVRES os angolanos, a região austral e a África para os africanos. Parem de engendrar artifícios para possíveis repartilhas do continente berço.

Que as igrejas, a classe política angolana, os nossos deputados, os governantes e governados, a nossa juventude, enfim, todos Nós, permaneçamos atentos às ideias divisionistas made in Bruxelas.

Que se preocupem com a Catalunha, com a Macedónia, com a Grécia, com a Ucrânia…

PortalMPLA/LBO/AB

 

 

 

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