Declaração do Bureau Político do MPLA sobre o 27 de Maio

BP

“Devemos assumir o compromisso, perante o povo angolano e o Mundo, de tudo fazermos para que Angola seja a Pátria da Liberdade, da Tolerância, da Democracia e da Justiça”.

Luanda, 27 Maio 13 – “A história recente de Angola está recheada de factos e acontecimentos que tocaram profundamente várias gerações de angolanos.

O povo angolano foi e há-de continuar a ser o principal protagonista de todos estes factos que marcaram e marcarão a nossa história.

Depois de mais de cinco décadas sofridas por conflitos de vária ordem, guerras, destruição, excessos de vários tipos, os angolanos estão cada vez mais decididos a caminhar firmes na senda da responsabilidade e da tolerância e, sobretudo, da reconciliação de toda a família angolana.

A maturidade, o sentido de Estado e o alto grau de responsabilidade e o espírito de fraternidade e de flexibilidade que os angolanos e as suas instituições atingiram, conduziram-nos à paz, à concórdia e à estabilidade política.

Os exemplos que, nos últimos dez anos nos têm sido dados com a finalização do conflito militar e com as manifestações de perdão, de tolerância e de reconciliação, são provas evidentes desta nova realidade.

Este foi, sem qualquer dúvida, um caminho difícil de trilhar, desde o dia 11 de Novembro de 1975.

O MPLA não pode, pois, estar dissociado dos principais momentos nesta caminhada para a construção de um Estado forte, com instituições credíveis, em que os direitos, os deveres, as liberdades e as garantias fundamentais dos cidadãos sejam asseguradas, consolidando e ampliando a democracia, nos seus múltiplos aspectos.

Hoje, numa altura em que se assinala a passagem do trigésimo sexto ano sobre a data do 27 de Maio de 1977, o MPLA não pode ficar indiferente a ela, reiterando a sua posição inequívoca sobre este facto surgido no seu seio, tal como já o havia feito há cerca de 11 anos.

O MPLA, acredita, que a atitude marcada por um elevado grau de imaturidade de alguns dos seus militantes e a incipiente organização e funcionamento das instituições

e excessos de zelo dos seus principais agentes, contribuíram decisivamente naquela altura para os factos ocorridos.

Com efeito, ao reconhecer que os acontecimentos à volta do 27 de Maio de 1977, marcaram, de forma bastante negativa, uma época da nossa história recente o MPLA considera que foram a Nação e o Povo Angolano quem perderam com todos estes episódios negativos, pelo que toda a nossa acção futura deve procurar sempre evitar que comportamentos e atitudes deste tipo possam, novamente, vir a ter lugar, quer nas instituições partidárias quer nas estaduais.

A prática democrática deve, deste modo, constituir o caminho ideal para que os angolanos possam exprimir as suas posições e fazê-las prevalecer, qualquer que seja o seu posicionamento político, a sua condição social, credo religioso, origem étnica, raça ou género.

Esta foi a razão principal por que se bateu firmemente pelo alcance da Paz, quando todos os anos milhares de angolanos pereciam injustamente.

Em relação a todos quantos, de algum modo, estiveram envolvidos nos acontecimentos em torno do 27 de Maio de 1977 e aos demais cidadãos que, de qualquer forma, estiveram associados à guerra fratricida que o País viveu, o MPLA recomenda que as instituições do Estado, com o apoio da Sociedade, devam continuar a trabalhar para que as consequências produzidas por estes acontecimentos não criem entraves ou dificuldades de qualquer natureza, ao exercício pleno dos direitos constitucionais e legais, por qualquer cidadão.

O MPLA considera que os aproveitamentos políticos de qualquer espécie não têm razão nenhuma para ocorrerem, sobretudo por parte de cidadãos que, não tendo estado directamente envolvidos nas acções à volta dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 e das suas consequências, distorcem a verdadeira razão dos factos, exploram e exacerbam tais factos, estimulando o ódio e a divisão entre os angolanos.

Neste sentido, a nossa postura deve ser contrária a estes propósitos, de forma a caminharmos decididamente para um processo de reconciliação e unidade nacionais, cada vez mais profundo e genuíno.

Ao virarmos mais esta página da nossa história, devemos assumir o compromisso, perante o povo angolano e o Mundo, de tudo fazermos para que Angola seja a Pátria da Liberdade, da Tolerância, da Democracia e da Justiça.

PAZ, TRABALHO E LIBERDADE

Luanda, aos 27 de Maio de 2013.

O BUREAU POLÍTICO”.

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