ENSINO SUPERIOR: Discurso de abertura do vice-presidente do MPLA

Camarada João Lourenço: “O Estado tem vindo a construir, de raiz, instalações físicas para universidades e institutos superiores, um pouco por todo o país”.

Luanda, 01.10.16. Luanda, 01 OUTUBRO 16 (SÁBADO) – Apesar de Angola ser rica em recursos naturais abundantes e da grande atenção prestada ao longo dos anos neste sentido, ainda não é capaz de, por si só, transformá-los em produto acabado, para o consumo. Esta preocupação consta do discurso pronunciado, neste sábado (01), em Luanda, pelo vice-presidente do MPLA, camarada João Lourenço, na foto, na abertura do Encontro com os Militantes das Instituições de Ensino Superior e de Investigação Científica da Região Académica 1.

O PortalMPLA transcreve-o, na íntegra: “Camaradas membros do Secretariado do Bureau Político do Comité Central, Caros camaradas reitores, directores, Docentes, investigadores e trabalhadores das instituições públicas e privadas do Ensino Superior, Camaradas, Agradeço, em nome da Direcção do MPLA, do seu Presidente, o Camarada José Eduardo dos Santos, ao facto de terem correspondido ao chamamento do Partido, para este encontro, que reputo de importante.

Entre os presentes nesta sala, temos em comum o facto de sermos, todos, militantes do mesmo Partido, o MPLA e, por isso, partilharmos e defendermos os mesmos ideais, independentemente dos títulos ou da posição que cada um de nós tem na sociedade.

Quando, em 1975, o país se tornou livre e independente, um grande desafio se colocava perante nós, com quê quadros contar para a governação do país, com quê quadros contar para o desenvolvimento económico e social do país, de forma a manter as empresas industriais e agrícolas, de forma a garantir maior oferta de trabalho aos angolanos, antes discriminados, de forma a criar melhores condições de habitação, de assistência médica e medicamentosa para a grande maioria da população.

Devemos confessar que não foi fácil, mas era um desafio que tínhamos de vencer a todo o custo. É assim que muitos dos presentes nesta sala, na altura estudantes do liceu e escolas técnicas, enquanto estudantes também se tornaram professores de milhares de jovens angolanos, que viram, assim, a oportunidade de acesso à educação e ensino não ser coarctada por carência de professores a tempo integral.

Por esta razão, o MPLA sempre estabeleceu como prioridade, nos seus programas de governação, a educação e ensino, concedendo bolsas de estudo a milhares de angolanos, que se formaram em outros países, como Cuba, a Rússia e muitos outros da Europa do leste, bem como em Portugal, Franca, Reino Unido, Itália e Estados Unidos da América, ou, ainda, em países do nosso continente africano, como a Nigéria e Marrocos, aos quais agradecemos.

Foram milhares os quadros superiores angolanos formados em diferentes áreas do saber nesses países e que hoje contribuem para o desenvolvimento do nosso país. Mas, enquanto formámos quadros no exterior, a formação no país, na única Universidade então existente, a Agostinho Neto, não podia parar e, assim, foram sendo contratados docentes expatriados de várias nacionalidades e, graças a isso, mantivemos abertas as portas do saber, em Luanda e noutras cidades universitárias.

Hoje o quadro mudou, a prioridade é a formação superior aqui no país, única forma de dar oportunidades de acesso ao ensino superior a um número cada vez maior de cidadãos angolanos, levando a Universidade ao encontro do mesmo. Hoje o país está organizado em varias regiões académicas, que abarcam um certo número de províncias para uma Universidade, tendo como meta algum dia ter a Universidade em cada província.

Caros camaradas, O Estado tem vindo a construir, de raiz, instalações físicas para universidades e institutos superiores, um pouco por todo o país. De igual forma, o sector empresarial privado vem investindo em estabelecimentos de ensino superior privados, com vista ao aumento da oferta neste domínio.

Reconhecemos que a oferta não cobre ainda as necessidades crescentes, se tivermos em conta o crescimento demográfico e a pressão que o ensino geral faz sobre o universitário. O investimento na formação superior tem sido grande, embora, mesmo assim, ainda insuficiente. Em 2002, ano da paz em Angola, existia uma única instituição de ensino superior pública, a Universidade Agostinho Neto e duas instituições de ensino superior privado. Em cerca de 14 anos de paz, esses números passaram para 24 instituições de ensino superior públicas e 40 privadas do mesmo nível de ensino, tendo formado 62 mil e 407 estudantes nesse mesmo período.

Caros camaradas, Angola alcançou a paz definitiva em 2002 e passados 14 anos desde essa data que está seriamente empenhada na reconstrução nacional. Muita coisa está sendo feita em termos de infra-estruturas, como estradas, caminhos-de-ferro, pontes, barragens hidroeléctricas, fábricas, portos e aeroportos, universidades e institutos superiores, centros de investigação, hospitais, fazendas agrícolas e outras.

Para o êxito da construção, operação e manutenção destes projectos, necessitamos, não só de programar e mobilizar o investimento público ou privado consoante os casos, mas, sobretudo, de assegurar o capital humano à altura da grandeza e importância dos referidos projectos.

Se, por um lado, sentimos a necessidade de formar, em quantidade, quadros de todos os níveis, em particular de nível superior, para satisfazer a demanda crescente do mercado de trabalho, por outro, importa zelar pela qualidade do quadro formado, o que, por outras palavras, significa dizer pela qualidade do nosso ensino superior.

Evidentemente que a qualidade do ensino a outros níveis, desde o ensino de base, tem reflexos na qualidade do ensino superior. Precisamos de encontrar o ponto de equilíbrio entre a necessidade da formação massiva de quadros de que o país precisa, com o rigor na qualidade desses mesmos quadros superiores.

Neste Mundo globalizado em que vivemos, o espirito de competição deve estar sempre presente e ser estimulado pelas instituições de ensino superior. Devemos encorajar e promover a cultura de premiar o mérito no ensino, o mérito no trabalho e em tudo o que fazemos.

A este respeito, deixem-me enaltecer a iniciativa da JMPLA, pela organização do Programa ‘Sucesso Escolar e Mérito Estudantil’ - Sábados Académicos, que vai já na sua 8ª edição e que consiste na promoção da concorrência entre estudantes e a premiação, em cada ano, dos cinco mais destacados de cada província. Trata-se de um campeonato que não é de futebol, de andebol, basquetebol ou de qualquer outra modalidade desportiva, mas de um campeonato do saber. Esta é uma iniciativa de louvar, de encorajar a que outros sigam o mesmo exemplo.

Caros camaradas, Referimo-nos há pouco à reconstrução nacional em curso, com destaque para a construção ou recuperação das principais infra-estruturas e, para isso, o país necessita, não só de recursos financeiros, de investimento público, mas precisa de quadros qualificados para o fazer.

O país é rico em recursos naturais abundantes, mas, apesar da grande atenção que se foi prestando ao longo dos anos, não somos ainda capazes de, nós próprios, transformarmos esses recursos que a natureza tão-generosamente nos oferece, em produto acabado, pronto para o consumo. Continuamos a exportar nossas riquezas em estado bruto para a América, a Europa e o resto do Mundo, para depois comprarmos de volta esses mesmos produtos transformados e com valor acrescentado, mas a preços exorbitantes, para além de que, com isso, estamos a dar emprego aos operários de outros países, em detrimento dos nossos.

Precisamos de industrializar o país e, para isso, necessitamos de quadros altamente qualificados em todas as áreas do saber, em particular das engenharias. Sabemos que isso é um processo que leva anos, quem sabe décadas, mas temos de ter essa ambição e estabelecer metas a ajustar, com o andar do tempo.

Gostaríamos, todos, de ver à frente dos grandes projectos nacionais de construção de estradas, barragens, caminhos-de-ferro, extracção e transformação mineira, fábricas ou construção de grandes edifícios, cidadãos angolanos formados nas nossas universidades, e, para isso, contamos convosco, docentes universitários e investigadores, parte dos quais estão presentes neste encontro. É um desafio grande, mas possível de ser vencido a médio, longo prazo, se houver empenho de todos, se houver investimento e ambição de alcançar os objectivos traçados.

Caros camaradas, O 7.º Congresso Ordinário do MPLA, nosso Partido, recentemente realizado, reiterou a importância da educação, em geral e, em particular, da formação superior e da investigação científica, como alavanca importante da nossa economia.

A Moção de Estratégia do Líder do MPLA, aprovada neste Congresso do Partido, à respeito da importância que o MPLA dá à formação de quadros, diz textualmente e eu cito: “É essencial que, mesmo nas condições actuais de contenção orçamental, as actividades abrangidas pelo Plano Nacional de Formação de Quadros, não sejam negativamente afectadas, sobretudo aquelas relativas à formação de um corpo docente técnica, científica e pedagogicamente competente, a todos os níveis”.

No meio de tanta riqueza, recursos minerais, água e terras aráveis abundantes, é vossa a responsabilidade de fazer do Homem, o bem mais valioso, aquele que fará a diferença, o único capaz de criar riqueza real que contribua para o desenvolvimento económico e social do país.

Durante este encontro com esta classe de militantes do Partido, vamos ouvir diversas comunicações, com realce para aquela que terá enfoque na Moção de Estratégia do Líder do Partido, mas também outras que, provavelmente, focarão mais sobre os problemas reais que o ensino superior vive e com relação aos quais estamos todos convidados a contribuir com ideias, na busca das melhores soluções.

Neste ano em que comemoramos o 60.º aniversário da fundação do MPLA e nos preparamos para a realização das quartas eleições multipartidárias desde os acordos de paz de Bicesse, aproveito esta ocasião para, mais uma vez, apelar a todos os nossos militantes, simpatizantes, amigos e, de uma forma geral, a todos os cidadãos angolanos, a efectuarem a actualização do seu registo ou a fazerem pela primeira vez o seu registo eleitoral, para que fiquem habilitados a exercer o seu direito de voto nas Eleições Gerais do próximo ano.

A hora é esta, amanhã pode ser tarde. Não deixem para amanhã o que pode ser feito hoje, diz o velho ditado. Como docentes, fazedores de opinião, agradecemos que reproduzam esta mensagem até à exaustão, até termos a certeza que todo o nosso militante actualizou seu registo ou efectuou seu primeiro registo eleitoral.

Caros camaradas, Diz-se que Angola é rica. Na realidade, apenas é potencialmente rica. Para passar a ser rica, tem tudo que um país pode sonhar ter. Só lhe falta apostarmos mais na formação do Homem, que vai fazer essa transformação e, para isso, o Partido conta convosco, os docentes universitários, os investigadores científicos e os trabalhadores do Ensino Superior.

Gostaria de terminar, aproveitando esta ocasião para agradecer a todos os responsáveis e militantes no Ensino Superior, que estiveram envolvidos nesta grande mobilização, que demonstra bem a força do nosso glorioso MPLA.

VIVA O MPLA!

VIVA O CAMARADA PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS!

DE CABINDA AO CUNENE, UM SÓ POVO! UMA SÓ NAÇÃO!

A LUTA CONTINUA! A VITÓRIA É CERTA!

PortalMPLA/Sede Nacional do Partido

Foto: DDS

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