Moisés Cafala: “José Eduardo dos Santos é um homem muito lúcido”

O destacado músico e cançonetista rememorou o gesto fraterno e bondoso do estadista angolano, para o fim da guerra em Angola, em 2002, através do perdão e do diálogo.

 

Windhoek, 15 ABRIL 16 (6ª FEIRA) – Neste mês da paz e da juventude e, também, pela celebração (16) do Dia Mundial da Voz, o PortalMPLA entrevistou, em Windhoek, Namíbia, o músico e cançonetista angolano Moisés Cafala, na foto, integrante do duo “Irmãos Cafala” (ou Cafala Brothers).  

Afectado, desde há sete anos, por tumores cancerígenos nas cordas vocais, que atingiram negativamente o seu desempenho vocal e toda a sua saúde, ele, que chegou a perder cerca de 20 quilos do seu peso habitual, está a combater esta terrível doença, desde Novembro do ano passado, no Centro de Oncologia da Namíbia.

A celebração, a quatro de Abril corrente, dos 14 anos de paz definitiva em Angola foi o tema principal da entrevista, em que o músico recordou “o gesto fraterno e bondoso do Camarada Presidente José Eduardo dos Santos, quando, em 2002, conseguiu pôr um ponto final à guerra, que dilacerava o país há cerca de 30 anos, através do diálogo e do perdão”.

Socorrendo-se à obra “O MILAGRE DO PERDÃO – no rescaldo da guerra”, do bispo católico Francisco de Mata Mourisca, fez suas as seguintes palavras: “Existe um amor político. É aquele amor que tem por objecto específico os seus compatriotas, bem como a procura do bem comum, com o qual eles se podem realizar, como cidadãos”.

E prosseguiu: “Semelhante amor é exigência imperiosa da profissão governativa. E todo o político que não tiver este amor não tem vocação para político, nem para governante”.

Sobre o recente anúncio do Camarada José Eduardo dos Santos, Presidente do MPLA e de todos os angolanos, de retirar-se da vida política activa em 2018, Moisés Cafala, ex-director provincial do Bengo da Cultura, comentou: “O Arquitecto da Paz, José Eduardo dos Santos é um homem muito lúcido e acredito que tudo o que ele decidir está certo”.

Sobre a actual crise financeiro-cambial em Angola, resultante da baixa do preço do petróleo no mercado mundial, qualificou-a como “um autêntico desafio à inteligência angolana. Subscrevo a política traçada pelo Executivo, assente na diversificação da economia, porque a monocultura da economia é perigosa”.

Segundo suas palavras, coisas piores, designadamente a guerra imposta, o povo angolano conseguiu vencer, porque organizou-se: “Nos novos tempos, podemos ampliar as possibilidades para que cada angolano possa fazer algo profícuo para a sociedade, no âmbito da diversificação da economia nacional”.

Aos 57 anos de idade, o destacado fazedor de cultura está a enfrentar um grande combate: já fez 20 sessões de radioterapia e três de quimioterapia. Desde 16 de Novembro de 2015, foi-lhe introduzido um tubo na traqueia, para facilitar a respiração, uma vez que as cordas estavam a falhar.

PortalMPLA/AB      

 

Veja todas as notícias