OPINIÃO: Atentado contra a electrificação de Angola - Epinelas Mateus*

“Postos de iluminação, lâmpadas, fios eléctricos, cabos de fibra óptica, enfim, tudo é furtado na calada da noite e a qualquer hora do dia, na maior das impunidades”.

 

Luanda, 10 NOVEMBRO 17 (6ª FEIRA) – A escalada de criminalidade que se assiste de um tempo a esta parte, particularmente em Luanda, com incidência para as zonas adjacentes à via expresso Comandante Fidel Castro Ruz, que liga Benfica, Viana e Cacuaco, derivada sobretudo da falta de iluminação pública, indicia um plano ardiloso bem arquitectado.

Postos de iluminação, lâmpadas, fios eléctricos, cabos de fibra óptica, enfim, tudo é furtado na calada da noite e a qualquer hora do dia, na maior das impunidades.

Não estejamos alheios ao facto de que, em Dezembro próximo, o País procederá ao lançamento do seu primeiro satélite. A retirada da fibra óptica pode comprometer a eficiência e a eficácia operacional do mesmo.

Consequentemente, este plano visa também atingir o Programa de Governo do MPLA sufragado nas Eleições Gerais de 23 de Agosto de 2017.

Inicialmente, os dados apontavam para a inclusão de cidadãos estrageiros nesta rede de malfeitores. Agora, a situação pode ser bem mais difícil. Cidadãos nacionais e estrangeiros e empresas privadas estão envolvidos nesta onda de sabotagem.

Vozes apontam que o material surripiado das zonas em urbanização está a ser revendido ao Estado por, supostamente, empresas por este contratadas para outras várias empreitadas em curso.

Outras empresas estrangeiras fornecedoras podem estar a adquirir fraudulentamente grande parte do material processado e transformado a seu critério e a preço desproporcional à venda inicial.

Não se sabendo ao certo se há conivência das mesmas com as associações criminosas, ou se, também, são vítimas, a verdade é que podemos deduzir que estamos perante autênticos sabotadores, oportunistas e criminosos.

Recentemente, foram apresentados mandantes e perpetradores de tais crimes, entre libaneses, angolanos e nigerianos, sem que, no entanto, até ao momento os mesmos fossem presentes ao juiz, para a devida responsabilização penal ou ilibados daquelas acusações. Nada foi mais dito desde àquela data.

De lá para cá, em mais de um ano, parece que as coisas só pioraram. E terá de ser o Estado, às expensas dos cofres públicos, a repor os referidos equipamentos em valores que poderiam ser aplicados, por exemplo, em escolas, hospitais e estradas.

Ao nos dirigimos à zona adjacente ao Centro de Produção da TPA, no distrito urbano da Camama, município do Talatona, é constatável o descaso com o bem comum, num acto de bradar os céus. Há lá falta de autoridade e disciplina.

E aqui, instamos, também, aos cidadãos a pautarem pela cultura da denúncia. Porque os malfeitores andam entre nós. Conhecemo-los bem. Há que fazê-los compreender para a necessidade da preservação do bem comum.

Apelamos, também, às autoridades para a tramitação judicial, em tempo útil, dos casos comprovados de depredação do que é de todos nós, para anular a acção destruidora dos criminosos.

*Jornalista/analista político social

PortalMPLA/EP/AB

 

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