OPINIÃO: Mandume, o último dos reis cuanhama - Jorge Ntyamba/João Carlos

“O jovem Rei cuanhama opôs aos colonos portugueses uma resistência tenaz, enfrentando, ao mesmo tempo, o avanço dos ocupantes alemães”

Luanda, 22 ABRIL 17 (SÁBADO) – Mandume-ya-Ndemufayo foi o último dos reis Cuanhama. Nasceu no ano de 1884 e morreu a seis de Fevereiro de 1917, com 33 anos de idade. Cresceu num período de significativa agitação no Reino do Cuanhama, devido à presença de comerciantes europeus e missionários. Terceiro na linha de sucessão para o trono Cuanhama, o príncipe vivia, desde criança, com medo de ser assassinado. O povo cuanhama pertence ao grupo etnolinguístico dos ovambo (ou ambó), do sul de Angola e norte da Namíbia.

Mandume frequentou a escola de missionários protestantes alemães, no território que, na altura, era o Sudoeste Africano Alemão, a Namíbia de hoje. Chegou ao poder em 1911 e seu reinado durou até 1917, coincidindo, portanto, com o período em que o poder colonial português concentrou-se na ocupação efectiva, pela força, do território de Angola, conforme exigido pelo Princípio da Ocupação Efectiva, da Conferência de Berlim. O jovem Rei cuanhama opôs aos colonos portugueses uma resistência tenaz, enfrentando, ao mesmo tempo, o avanço dos ocupantes alemães, que vinham do sul. Face à superioridade militar dos europeus, preferiu suicidar-se, ao ter que se render. Já ferido, Mandume foi retirado pelos seus fiéis súbditos, os Lengas, bem assim como pelos filhos do seu primo Weyulu, para debaixo da árvore imensa, o imbondeiro, onde, finalmente, praticou o suicídio, com a sua arma de repetição, do tipo “Mauser”. Durante o Reinado de Mandume, as guerrilhas entre os povos africanos acabaram e passaram a ser apenas contra os ocupantes coloniais, que, a todo o custo, tentavam ocupar a parte sul de Angola. Pelo seu contributo à luta contra a ocupação estrangeira, o Governo angolano inaugurou, em 2002, o Complexo Memorial do Rei Mandume no local onde o Rei perdeu a vida e onde se encontra sepultado, na comuna de Oihole. Em 2009, também em sua homenagem, o Governo angolano, sob a liderança do MPLA, escolheu o seu nome para designar a primeira instituição de ensino superior, instalada na cidade do Lubango, província da Huíla, sul de Angola. Chama-se Universidade Mandume-ya-Ndemufayo.

PortalMPLA/JC/JN/AB

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