OPINIÃO: Nada é mais vil do que a desinformação - Epinelas Mateus*

“Nos ‘twiters’, ‘facebooks’, ‘watsApps’, ‘vibers’, entre outros, tudo é publicado e nada desaprovado: às tantas, não há responsabilidade, nem responsabilização”.

 

Luanda, 17 NOVEMBRO 17 (6ª FEIRA) - A teoria cosmopolita, segundo a qual as ferramentas que compõem as redes sociais constituem alternativas aos meios convencionais de informação, volta a ser questionada. Nos “twiters”, “facebooks”, “watsApps", “vibers”, entre outros, tudo é publicado e nada desaprovado: às tantas, não há responsabilidade, nem responsabilização.

Esta análise remete-nos à imperiosa avaliação das liberdades de pensamento e de expressão, consagradas por lei, ante a necessidade da preservação da integridade individual e colectiva. Especialistas dos vários ramos defendem a regulamentação dessa plataforma virtual de comunicação e interacção, para prevenir a desarticulação social e a política dos Estados.

Em Angola está tipificada, no novo Código Penal, a Lei dos Crimes Informáticos, com a qual se prevê responsabilizar o uso indevido e criminoso da rede social. Serão responsabilizados os utentes que produzam ou reproduzam informações ou conteúdos que lesem a outrem ou que ponham em causa o bem comum: a soberania nacional.

A “aldeia global”, à qual temos acedido virtualmente, tem sido, também, um meio para que terroristas, assassinos, enfim, criminosos de vária estirpe passem as suas ideologias fundamentalistas, individuais ou de grupo.

Fotos e informações sigilosas ou delicadas caem diariamente na rede social, sem que haja um apuramento. Ou seja, acautelado o impacto de tal acção.

Será que alguém já questionou-se sobre a eventual e indirecta participação no assalto ou na morte de outrem, pelo uso indevido dessa plataforma? Pela desarticulação nacional?

Enquanto as vítimas pela devassa ou exposição indevida calcorreiam para a reposição da verdade ou protecção dos dados, os prevaricadores, subterfugiados nos monitores ou em “smartfones andróides”, andam soltos, como se nada tivessem feito.

No Jornalismo, profissão que é erroneamente comparado o exercício da rede social, existem três pressupostos: informar, formar e entreter. O que pressupõe, antes de mais, apurar as alegações, antes da sua divulgação. Pautar pelo contraditório para não comprometer esses princípios, que são o seu objecto.

Nada é mais vil do que a desinformação.

*Jornalista/Analista político-social

PortalMPLA/EP/AB

Veja todas as notícias