OPINIÃO: Não houve nada que ficasse escondido na entrevista – Carlos Eduardo

João Lourenço “preferiu resgatar a própria história de lisura e uma conduta ilibada, que é atestada pela ausência de fortunas em nome próprio”.

PortalMPLA, 20 NOVEMBRO 18 (3ª FEIRA) - A entrevista do Presidente da República, João Lourenço, ao Jornal Expresso foi uma verdadeira demonstração de segurança e confiança nas escolhas que fez.

“Não me está a dizer para abandonarmos o combate à corrupção, para nos dedicarmos só à economia. Temos que fazer tudo em simultâneo e é o que estamos a fazer. Não consumimos 24 horas do dia a pensar e a falar do combate à corrupção.

Antes pelo contrário, consumimos grande parte do nosso tempo a pensar nas soluções económicas e sociais, para ver se criamos mais emprego e melhoramos a vida da população”.

Esta afirmação de João Lourenço é, em síntese, o que melhor traduz a sua forma de pensar e agir.

Ao contrário do que temos visto no perfil de alguns saudosistas da “época da bonança” (deles), nas redes sociais, o Presidente angolano foi elegante ao evitar associar o nome do ex-Presidente aos já conhecidos casos de corrupção e de delapidação do erário público.

No lugar disso, preferiu resgatar a própria história de lisura e uma conduta ilibada, que é atestada pela ausência de fortunas em nome próprio.

Não houve nada que ficasse escondido na entrevista. Dos filhos do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, culminando com figuras do entorno do ex-mandatário da Nação, todos foram expostos, dentro daquilo que representaram.

Numa análise mais profunda, podemos dizer que houve uma crítica, também, aos sectores que se diziam privados, mas que funcionavam como verdadeiras estruturas paraestatais.

As negociações entre a Sonangol e Galp e entre Angola e o BNDES do Brasil foram mencionadas com a necessária lucidez, de quem sabe que é preciso ter habilidade política para que sejam evitados prejuízos ao Estado angolano.

“As relações entre os Estados não se devem confundir com as relações entre executivos e o que se passou no Brasil foi uma mudança de Executivo, mas não uma mudança de regime”, afirmou João Lourenço.

A CPLP foi mencionada como aquilo que parece ser, até os dias de hoje, uma promessa. João Lourenço reconheceu a importância do bloco, mas admitiu que os trabalhos - até aqui - foram revelados insuficientes para a expectativa em torno deste conjunto, que une os países de língua portuguesa.

É uma opinião corajosa, pois cobra mais empenho e dedicação dos países membros, no sentido de darem a necessária dinâmica na actuação em parceria dos Estados que o compõem.

De um modo geral, o Presidente da República de Angola revelou ao Expresso que está muito bem informado do cenário interno e externo.

É importante que saibamos o elevado nível de complexidade do momento político e económico que o País vive. Somente assim estaremos em condições de identificar quem é quem, nesse emaranhado de difícil compreensão.

Atenção redobrada e Angola acima de toda e qualquer tentativa de manipulação da realidade.

/CE/AB

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