OPINIÃO: O pensamento de governação de João Lourenço – José Ribeiro*

“Um novo esforço é fundamental imprimir ao País, depois dos anos de assentamento da poeira da guerra, da reabilitação da infra-estrutura nacional”.

 

Luanda, 08 NOVEMBRO 17 (4ª FEIRA) - A aprovação do Plano Intercalar a seis meses, as primeiras “mexidas” nos gestores das empresas públicas e, de um modo geral, a agenda presidencial, permitem compreender a filosofia de governação imprimida pelo Executivo do Presidente João Lourenço.

Dentro daquilo que foi o pensamento político por ele explicitado durante a campanha eleitoral, na investidura e na mensagem sobre o estado da Nação, é possível identificar já traços de governação.

Ao aprovar, na primeira reunião do Conselho de Ministros, o Plano Intercalar para o período Outubro/Março e avançar, na semana finda, com a mudança nas primeiras direcções das empresas do Estado, o Governo sugere uma preocupação com a economia, área que precisa de um choque para se reanimar.

Após o preenchimento dos lugares governativos, processo provavelmente ainda não concluído, era natural que o Governo começasse por dar primazia às questões sociais, por exemplo a medidas activas de emprego. Assim não aconteceu.

O Presidente preferiu, em primeiro lugar, dar um sinal aos investidores e agentes económicos de que as coisas em Angola iriam manter-se com a estabilidade dos 15 anos de paz e tenderiam, até, a melhorar. Preferiu, ao mesmo tempo, reforçar o convite aos investidores, para continuarem a apostar na economia de Angola.

O Governo sabe que a resposta necessária para a voracidade da classe média e para os problemas de pobreza e falta de rendimentos da maioria da população carece de condições prévias.

Uma pequena mas importante parte do que é urgente fazer ficou já claro. A abertura da campanha agrícola, feita pessoalmente pelo Presidente e a reunião que teve com as petrolíferas, no Palácio da Cidade Alta, levam a perceber que o Executivo quer explorar o potencial agrícola, fonte inesgotável de emprego, sem descurar as alavancas orçamentais tradicionais, o petróleo e os diamantes.

A mudança na ENDIAMA, empresa que gere o segundo produto da receita nacional e que viu o seu gestor principal ser substituído, foi a mais recente medida nessa linha. Fica, apenas, por saber se essas mudanças apontam já para a há muito anunciada reestruturação do sector empresarial público.

Todas as acções até agora realizadas foram significativas, mas nenhuma foi tão forte como a substituição do governador do BNA. Os instrumentos da navegação macroeconómica continuam a não estar afinados. Parece haver demasiada atenção em responder a alertas vindos de fora do País do que em organizar e pôr em ordem, de vez e internamente, as estruturas e processos do banco central.

Depois da reviravolta no BNA e das restantes “mexidas”, será natural que se venha a conhecer como o pensamento de governação do Presidente João Lourenço se articula na frente externa e, mais concretamente, na diplomacia e, dentro dela, na económica, embora exista já alguma percepção vinda da campanha e de decisões do MIREX.

Certo é que para o quadro se compor, terá de haver movimentação nas embaixadas e missões diplomáticas, representações e serviços e naqueles que facilitam (ou dificultam) o relacionamento com o investidor ou com o turista.

Em simultâneo com a dinâmica governativa do Palácio da Cidade Alta, observa-se uma coordenação bem afinada dos diferentes departamentos e sectores ministeriais com o novo paradigma governativo.

Um novo esforço é fundamental imprimir ao País, depois dos anos de assentamento da poeira da guerra, da reabilitação da infra-estrutura nacional e de cada um procurar encontrar o rumo melhor para si.

Em conclusão, à excepção deste ou daquele acidente natural no início de qualquer ciclo, parece não haver dúvida de que há, de facto, um pensamento governativo e orientador do Presidente João Lourenço, enquanto homem político, que está a ser aplicado no País.

Como reconheceram os seus camaradas na recente reunião da Direcção do MPLA, esse pensamento foi brilhantemente exposto na campanha, que levou à vitória eleitoral em Agosto.

Há, também, um trabalho de equipa, sim, mas a liderança é essencial. As primeiras medidas avançadas pelo Executivo são perfeitamente coerentes com esse pensamento. Será interessante acompanhar como ele irá evoluir.

(Na foto, à esquerda, o Presidente João Lourenço em visita de constatação, 3ª feira, 07, ao Hospital Central de Cabinda, norte de Angola).

*Jornalista

PortalMPLA/AB

Fonte: JA

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