OPINIÃO: Paz no nosso íntimo – Duarte Kanakassala

“É a diversidade e a consciência do sentimento nacional que nos dá mais força”.

Luanda, 22 ABRIL 17 (SÁBADO) - Depois de Cabinda, João Lourenço, candidato do MPLA a Presidente da República de Angola, deslocou - se ao Cunene, sexta-feira, 21, para uma estadia de dois dias.

Num exercício que, nas suas próprias palavras, configura o desígnio da afirmação da integridade territorial de Angola e da coesão nacional, sustentada na palavra de ordem “De Cabinda ao Cunene, um só Povo, uma só Nação!”.

Mesmo no início do seu discurso, perante uma mole de gente, avaliada em mais de 70 mil concidadãos, sublinhou que estava ali “não tanto para ser apresentado”, mas para render a mais viva homenagem ao lendário Rei Mandume-ya-Ndemufayo, e nele inspirar - se para enfrentar os desafios do futuro. Chama a atenção dos observadores essa busca de inspiração, considerando - a como um fundamento racional legítimo, em vias de um compromisso incontornável com a Nação.

João Lourenço revela, assim, não só uma bondade intrínseca, como assegura que a magia do diálogo intercultural está em crescer e fazer crescer, descobrir e fazer descobrir, em derrubar muros e construir pontes. Vai daí a facilidade com que se distancia dos preconceitos tribais, regionais e raciais, defendendo que a chave da vitória do MPLA consiste na defesa do princípio da unidade nacional.

Que é secundário o facto de termos nascido aqui ou acolá; que não é relevante o local onde tenhamos enterrado o cordão umbilical; que é irrelevante o ter uma tez mais escura ou mais clara; que é indiferente o pertencermos a uma ou outra designação religiosa.

Sermos homens ou mulheres. “É a diversidade e a consciência do sentimento nacional que nos dá mais força” - disse João Lourenço, para afiançar aos incrédulos que “é esse o segredo do MPLA”. O candidato do MPLA não poderia ser mais explícito.

No seu discurso didáctico – como, de resto, tem feito - nunca assumiu o papel de vítima das orquestrações propagandísticas das oposições, nem atribuiu o papel de algoz a quem quer que seja. Recordou, apenas, que os nossos sonhos de mitigação dos efeitos da seca e dos alagamentos em época de chuva, no Cunene, são realizáveis. E que o MPLA nunca faltou ao povo, mesmo nas circunstâncias mais difíceis de ocupação do território, pelas forças militares do então regime do apartheid.

Que o MPLA nunca fez alianças espúrias com os mandantes da Pretoria racista.

Que o único compromisso do MPLA foi e continua a ser com o povo angolano, grato - como não poderia deixar de ser - com todos quantos vieram ajudar-nos, para a defesa da soberania e integridade do País.

É curioso que em todas as latitudes de Angola por que passa, os banhos de multidão a que João Lourenço se submete sejam precedidos de encontros de auscultação às diferentes sensibilidades políticas e sociais locais. Ele demonstra que saber escutar os outros é de extrema importância.

Isso constitui, por si só, um acto de paz. Com essa diligência, João Lourenço convida a todos a procurarem a paz no seu íntimo.

PortalMPLA/DK/AB

Veja todas as notícias