OPINIÃO: Simplesmente histórico – Eduardo Magalhães*

“O MPLA deverá, agora que entra numa nova etapa, estar alinhado ao dinamismo do seu novo líder”.

                           

PortalMPLA, 13 SETEMBRO 18 (5ª FEIRA) - O novo Presidente do MPLA, João Lourenço, segue fiel à sua narrativa política reformista e conciliadora com a própria história e os protagonistas da gesta heróica de Angola, como Ilídio Machado, Mário Pinto de Andrade, Agostinho Neto, Fundador da Nação e José Eduardo dos Santos, Arquitecto da Paz.

O discurso de João Lourenço, no final do 6.º Congresso Extraordinário, foi marcante e inaugurou, certamente, uma nova etapa da vida política angolana, pois o MPLA é inseparável da história de Angola.

Num tom conciliador, João Lourenço agradeceu à Direcção do Partido, por ter apostado mais uma vez, na sua pessoa, como candidato ao mais alto cargo do MPLA e de ter merecido o voto de confiança da grande maioria dos delegados ao Congresso histórico, que o elegeu como o 5.º Presidente da maior formação política angolana. Uma acção entendida como corajosa e de correcção do legado histórico.

A sociedade, em geral, deposita uma elevada expectativa em cada intervenção e acção que João Lourenço desenvolve, augurando sempre que, à semelhança do que está a fazer no Estado, também dinamize um processo de reformas profundas no Partido, de resto, um assunto consensual entre dirigentes, militantes, simpatizantes, amigos e fazedores de opinião.

O novo Presidente do MPLA, atento ao clamor de vários segmentos internos e, até, da própria sociedade civil, foi simplesmente categórico: o MPLA deve transformar-se num partido ainda mais democrático, moderno e aberto, para encarar isso com naturalidade e, de uma forma geral, estar à altura dos novos desafios que a dinâmica dos tempos impõe.

A abertura democrática que João Lourenço pretende deverá estar reflectida nos domínios político, económico, cultural e social. A abertura política, com ênfase numa maior aproximação e diálogo aberto com as diferentes forças políticas e sociais, como ocorre hoje com o Executivo e os parceiros sociais, é um indicador de que o debate sobre o processo autárquico não está encerrado.

Como disse o Presidente, apesar de defender a sua posição inicial, o Executivo vai continuar aberto e a ouvir outras posições diferentes, caso contrário não teria tido a iniciativa de fazer esta ampla auscultação à sociedade.

A abertura informativa que o País vive hoje, caracterizada, sobretudo, pelo novo papel da imprensa pública, foi realçado como um factor que contribuiu para trazer à sociedade maior espírito democrático e o reforço dos direitos civis e políticos.

A referência aos fazedores de opinião, que exprimem as suas posições e ideias através da imprensa, independentemente de serem ou não favoráveis, é um dado que deve ser percebido como um sinal inequívoco de que a abertura na comunicação social, de uma maneira geral, é para prosseguir, o que ratifica a importância dos órgãos de imprensa nas modernas sociedades democráticas.

A actividade comunicativa levada a cabo pelos meios de comunicação social congrega aspectos da liberdade de expressão, com a liberdade de informação, revelando-se, quer pelos veículos de difusão utilizados, quer pela pluralidade de destinatários, como meio privilegiado da promoção do conhecimento, do debate e da crítica no seio da sociedade.

O comportamento de muitos quadros, quando ocupam lugares de responsabilidade na Função Pública e no Estado, também mereceu reparos do Presidente do MPLA, que sublinhou que esses militantes devem sempre colocar o interesse nacional acima dos interesses individuais ou de grupos.

É nosso entendimento que o MPLA precisa ajustar-se aos novos tempos e aos novos desafios, a todos os níveis. A aproximação aos cidadãos, em geral, o diálogo com os homens de cultura, com os líderes comunitários, com os jovens, sobretudo os do meio urbano, para se fazer compreender até em termos de linguagem, às mulheres que não são da sua organização feminina, é imprescindível para levar a renovação a todas as estruturas do Partido, como também reconheceu João Lourenço.

As universidades devem entrar na agenda política prioritária do Partido maioritário para poderem, com o seu saber e investigação científica, servir as empresas e, com isso, a economia nacional.

O MPLA deverá, agora que entra numa nova etapa, estar alinhado ao dinamismo do seu novo líder, para, com a motivação permanente, superar os obstáculos e ter capacidade para vencer os ingentes desafios - de combate à corrupção, à impunidade, ao nepotismo e à bajulação - que se implantaram no nosso País nos últimos anos e que muitos danos causam à nossa economia, afectam a confiança dos investidores, porque minam a reputação e a credibilidade do nosso País - enunciados no discurso de encerramento do Congresso, por João Lourenço.

Os dados estão lançados. E quem agir ao arrepio das dinâmicas dos novos tempos, o seu tombo será inevitável.

*Jornalista/Jurista

/EM/AB

Foto: DDS

 

 

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