PIONEIROS DA INDEPENDÊNCIA

CREATOR: gd-jpeg v1.0 (using IJG JPEG v62), quality = 80A gesta heroica de cidadãos envolvidos no designado Processo dos 50 tornou público o crescimento da consciência nacionalista angolana na então colónia portuguesa e impulsionou o início da luta armada para o alcance da independência nacional.

Esta afirmação foi feita pelo nacionalista José Diogo Ventura, tendo considerado que o Processo dos 50 denunciou ao mundo as más práticas desumanas do regime colonial português, através duma brochura produzida por Mário Coelho Pinto de Andrade, um dos históricos do MPLA.

Diogo Ventura, ex-deputado à Assembleia Nacional pelo MPLA, referiu que, em finais da década de 1950, cresceu a contestação contra o regime colonial em Angola.

Conta que nessa onda de contestações, vários nacionalistas foram presos, torturados e mortos por estarem envolvidos em acções clandestinas, que visavam despertar a consciência dos angolanos, difundir os ideais de libertação e denunciar as atrocidades perpetradas pelo regime colonial em Angola. Estas detenções iniciaram no dia 29 de Março de 1959.

O julgamento dos nacionalistas teve início a 5 de Dezembro de 1960, quando já passavam vinte meses das suas prisões.

Tal como conta José Diogo Ventura, o 4 de Fevereiro de 1961, que consistiu numa revolta que visava libertar os nacionalistas das cadeias, teve como marco o denominado Processo dos 50.

“A nossa intervenção foi ver ma Angola livre da opressão colonial e alcançar a independência de Angola, disse o nacionalista José Diogo Ventura.

O conhecimento das prisões dos nacionalistas alertou varias pessoas, iniciando as bases para o início da Luta Armada no dia 4 de Fevereiro de 1961, quando um conjunto de patriotas angolanos tomou de assalto as cadeias onde estavam os presos políticos.

Processo dos 50 é a designação que se atribui à prisão e julgamento de um grupo de nacionalistas que, insatisfeitos com o domínio colonial português, decidiu iniciar clandestinamente acções que conduzissem à independência de Angola.

Segundo José Diogo Ventura, deve-se esse nome ao facto de Joaquim Pinto de Andrade ter enviado para o seu irmão que vivia no exterior, Mário Pinto de Andrade, que produziu um folheto denunciando a prisão de 50 nacionalistas, dando a conhecer ao mundo o que se passava em Angola, desmascarando as verdadeiras intenções do regime colonial português.

Deste processo fizeram parte indivíduos negros, mestiços e brancos, europeus e africanos, que estavam envolvidos na luta por uma mesma causa a independência de Angola.

Entre eles, contam-se José Manuel Lisboa, Lucrécio da Silva Mangueira, Agostinho Mendes de Carvalho, André Mingas, Belarmino Van-Dúnem, José Diogo Ventura, Noé Saúde, Ilídio Machado, Higino Aires, André Franco de Sousa, Carlos Alberto Van-Dúnem, Luís Rafael, António Marques Monteiro, Miguel Fernandes, Amadeu Amorim, Gabriel Leitão, Liceu Vieira Dias, Mário Guerra, Hélder Neto, Calazans Duarte, José Meireles, entre outros.

/AQ

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