PROGRESSO: Financiamento chinês apoia projectos essenciais em Angola

Pelo menos 20% das obras terão de ser subcontratadas a empresas angolanas e devem ser usados materiais de construção locais, sempre que possível, o que deverá traduzir-se em maior criação local de riqueza e emprego, que o Governo estima em 365 mil postos de trabalho. Na foto, os presidentes José Eduardo dos Santos e Xi Jimping.

Pequim, 29 MARÇO 16 (3ª FEIRA) - O financiamento da China tornou-se, com a quebra de receitas fiscais, ainda mais importante para Angola e está a ser aplicado em projectos essenciais de menor dimensão e mais ajustados às necessidades locais.
Dos seis mil milhões de dólares de financiamento chinês agora em aplicação, de acordo com informação divulgada pelo Ministério das Finanças de Angola, 5,3 mil milhões de dólares serão usados para financiar 155 projectos públicos em todo o país, incluindo uma barragem na província do Cuanza-Norte, novas estradas e pólos industriais, além de equipamentos sociais, como hospitais, centros médicos, escolas, universidades, redes de água, electricidade e irrigação.
Essas opções representam uma alteração em relação a pacotes de financiamento passados, usados, sobretudo, em projectos de grande dimensão, como estradas, caminhos-de-ferro, estádios ou aeroportos.
“Direccionar estes fundos chineses para projectos de infra-estruturas essenciais mais pequenos, que são parte do programa público de investimentos, é um uso sensato do dinheiro, numa altura em que o investimento público está a ser ‘esmagado’ pelo baixo preço do petróleo”, refere a Economist Intelligence Unit.
As previsões da EIU apontam para um crescimento económico de 1,1% em 2016, menos de metade do registado no ano passado, mas devendo acelerar para 3,5% no próximo ano e 3,8% em 2018.
Os trabalhos assegurados pelo novo pacote serão entregues a empresas chinesas, tal como em anteriores pacotes de financiamento, mas algumas alterações às regras de contratação foram feitas para aumentar o envolvimento das empresas e força de trabalho angolanas. .
Pelo menos 20% das obras terão de ser subcontratadas a empresas angolanas e devem ser usados materiais de construção locais, sempre que possível, o que deverá traduzir-se em maior criação local de riqueza e emprego, que o Governo estima em 365 mil postos de trabalho.
“Uma abordagem mais aberta nos concursos e um foco em melhor valor e qualidade é um sinal positivo. O ênfase na apresentação de propostas mais transparentes e a realização de um fórum de negócios em Março, com o objectivo de identificar novas áreas de cooperação do sector privado, reflectem uma maior maturidade na relação económica de Angola com a China”, afirma a EIU.
A previsão dos analistas é que Angola continue a dar prioridade às suas relações com a China, que tem vindo a afirmar-se como grande parceiro económico.
O referido fórum do sector privado realizou-se este mês em Pequim, com a presença de responsáveis da Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP) e da Agência para a Promoção do Investimento e Exportações de Angola (Apiex), além de cerca de três mil potenciais investidores, de acordo com o Jornal de Angola.
PortalMPLA/AB

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