UNITA segue a vocação de ser pequena e cheia de ódio – Eduardo Magalhães

A disputa interna na UNITA é o retrato, em miniatura, daquilo que seria transformada Angola, caso aquele partido chegasse um dia ao poder. Um partido sem uma liderança capaz de aglutinar as suas células levaria, fatalmente, o país a ser transformado numa manta de retalhos” – 20.11.15.

 

Luanda, 20 NOVEMBRO 15 (6ª FEIRA) - No debate livre de terça-feira (17), na TV Zimbo, que juntou os candidatos à liderança da UNITA, Isaías Samakuva revelou as fragilidades do partido por ele liderado até ao presente momento.

Primeiro, porque é visível a falta de coesão; Segundo, porque os seus liderados, que de maneira desorientada tentam assumir as rédeas do partido, expõem as feridas que, em parte, justificam os sucessivos fracassos da UNITA, no plano interno e externo.

Enquanto Samakuva afirmou ter recuperado a UNITA, um dos seus opositores, Numa, mostrou ser mais realístico ao dizer que a UNITA perdeu força, opinião esta reconhecida por Lukamba Gato, que reforçou a crítica ao próprio líder, quando destacou o fraco poder de mobilização deste partido. Em síntese, a perda de influência da UNITA não pode mais ser escondida pelas fantasias de Samakuva.

A disputa interna na UNITA é o retrato, em miniatura, daquilo que seria transformada Angola, caso aquele partido chegasse um dia ao poder. Um partido sem uma liderança capaz de aglutinar as suas células levaria, fatalmente, o país a ser transformado numa manta de retalhos.

Certamente por isso, longe de ser uma ameaça à liderança do MPLA, os eleitores fazem a UNITA ver cada vez mais próximos, através do retrovisor, outros partidos menores, que constituem hoje uma sombra à ocupação do espaço político que ela julgava ocupar.

Lukamba Paulo Gato e Kamalata Numa expuseram sem piedade o mundo de fantasias vivido pelo líder da UNITA. A forma como Samakuva tem conduzido a UNITA ratifica a, cada vez maior, distância do poder daquele partido.

Os angolanos sabem que a aventura de trocar o actual comando do país por um “balaio de gatos”, sem trocadilho, poderia fazer-nos mergulhar numa crise institucional sem precedentes.

A conta, sempre pesada, recairia sobre os ombros dos cidadãos, o que tornaria inviável a possibilidade de atingir melhores condições de vida.

Culpar os processos políticos, como as eleições, para justificar os sucessivos fracassos é uma prova incontestável de que a UNITA nada aprendeu com as derrotas acumuladas. O respeito às instituições é de fundamental importância para o andamento normal e evolutivo do processo democrático.

Ignorar a importância da separação dos poderes e acusar o MPLA de influenciar nos resultados das urnas é, uma vez mais, o choro de perdedor em alta reverberação. As tentativas de jogar a sociedade contra o MPLA e contra as Instituições do Estado angolano é um recurso que faz da UNITA ser o que é: um partido pequeno e sem proposta para Angola e para angolanos.

Neste mesmo debate da TV Zimbo, os quadros que disputam a tapas o poder na UNITA afirmaram que “a democracia aceite pelo MPLA é resultado da postura histórica da UNITA”. Para deitar abaixo esta tese, basta um simples olhar para a história recente para constatar que graças ao MPLA, a UNITA existe hoje enquanto partido político, pois sem o poder e liderança reconciliadora do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a UNITA estaria invisível nas matas, confundida entre o matagal.

Até aqui, os quadros que disputam o poder na UNITA tentam identificar para qual segmento da sociedade comunicam. Camponeses? Operários? Classe média?

Enquanto buscam respostas para a manta de retalhos como enxergam o país, o MPLA segue fortalecido e governando para todos os segmentos sociais, aglutinando e revitalizando as suas estruturas.

A aflição de Isaías Samakuva o leva a fazer revelações que beiram a ressabiamento nervoso. Uma delas é a de que a sua acção levou o MPLA ao isolamento e conflito com os angolanos.

Samakuva alegou que o seu partido tem ganho novos militantes, alguns vindos do MPLA, embora estes peçam para se manterem no anonimato. Mesmo argumento usado por aqueles que afirmam “ouvir vozes” ou “conversar com mortos”.

Por último, o “pacto de regime”, defendido por Lukamba Gato, no mesmo espaço na TV Zimbo, é carregado de saudosismo dos tempos do “Governo de Unidade e Reconciliação Nacional”, uma postura de quem até agora não conseguiu aceitar a condição de ser opositor e tenta estar próximo do poder, mesmo quando as urnas decidem o contrário.

Em síntese, a UNITA nada ofereceu à sociedade angolana no espaço que teve na TV Zimbo, pois, assim como a Rádio Despertar, está presa na mesma ladainha de criticar o MPLA e as instituições democráticas.

Este acto de destilar fel revela, até mesmo aos desatentos, que a única música que o “galo” sabe cantar é o “canto do ódio”.

Por isso, a sociedade faz ouvidos de mercador, enquanto a UNITA segue a sua vocação de atirar pedras no telhado alheio, antes mesmo de consertar o seu próprio.

PortalMPLA/EM/AB

 

 

Veja todas as notícias