Mulher, fonte de amor e de esperança

Artigo de opinião de Emanuel Mangueira da Silva.

 

Luanda, 01 ABRIL 15 (4ª FEIRA) - Em Março, vivemos mais uma jornada especial, de homenagem à mulher, no Mundo, apesar da brutalidade que ainda se verifica contra ela e contra a criança, provocada por conflitos armados, nos diferentes continentes.

A trajectória de vida da mulher, de um modo geral, foi marcada pela luta para a sua emancipação, pela igualdade de direitos com os homens, pelo reconhecimento e aceitação no mercado de trabalho e contra padrões opressores e de violência em relação à mulher.

Em Angola, um país em construção, onde é promovida a igualdade de direitos e oportunidades entre os angolanos, independentemente do sexo, também esteve em evidência, neste mês de Março, o papel preponderante da mulher na sociedade.

A mulher angolana também sentiu na pele a discriminação, resultante da colonização, da sua condição feminina e das injustiças do ponto de vista racial, económico e social.

Por razões históricas, a luta pela sua emancipação esteve sempre ligada à luta contra o jugo colonial. A rainha Njinga foi uma das mulheres que, no século XVII, se tornou num símbolo de resistência contra a ocupação estrangeira, lutando pela paz e pela libertação do seu povo.

Revela a história, que foi uma filha extremosa, irmã fiel, guerreira destemida e estratega invulgar. Soube afrontar os colonizadores portugueses e insurgir-se contra todos os que ofuscavam os ideais de justiça e dignidade para os filhos desta terra.

A luta de libertação nacional, conduzida pelo MPLA, aglutinou esta franja importante da sociedade, as mulheres, através da primeira organização feminina angolana, a OMA – Organização da Mulher Angolana.

O Movimento de Libertação iniciou uma verdadeira inclusão feminina, pois, dentro dele as mulheres tinham os mesmos direitos e deveres que os homens, incluindo pegar em armas.

A mulher angolana tinha consciência de que só numa sociedade descolonizada os seus direitos seriam conquistados e preservados.

A luta consentiu enormes sacrifícios e muitas perderam a vida em combate, destacando-se os nomes de Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Lucrécia Paim, Engrácia dos Santos e Teresa Afonso.

Graças a esse empenho, a situação da mulher, em Angola, mudou e tende a melhorar. A luta contra todos os tipos de discriminação, seja ela racial, cultural, ou de género, ganha cada vez mais espaço e instrumentos jurídicos.

A Constituição angolana atribui igualdade entre o homem e a mulher no seio da família, da sociedade e do Estado, gozando dos mesmos direitos e cabendo-lhes os mesmos deveres.

Apesar das conquistas alcançadas, as mulheres ainda se queixam contra barreiras que tentam impedi-las de alcançar novos horizontes.

Verdade seja dita, ainda há muito trabalho pela frente, contra todas as formas camufladas de machismo e de discriminação, com particular destaque para as questões de violência no género, que têm tomado contornos assustadores no nosso seio.

Neste capítulo, o MPLA está pronto, defendendo uma política que assegure uma efectiva emancipação e promoção da mulher, garantindo a igualdade de direitos e oportunidades na educação e no emprego, bem como a sua participação na vida política, económica, social e cultural, como recomendam os instrumentos jurídicos nacionais e internacionais, sobre esta matéria.

Como reflexo desta postura, o desenvolvimento da mulher é notório e a sua participação na vida pública vem atingindo cifras satisfatórias, seja no Parlamento, no Governo ou nos órgãos judiciais, na administração pública ou na vida empresarial, na sociedade civil, na cultura, no desporto e, o que é de salientar, aumenta o número de mulheres alfabetizadas e a frequentarem diferentes níveis de escolaridade, uma vez que a formação é o pressuposto fundamental para o triunfo de qualquer luta.

Mas, há uma preocupação e orientação ressaltadas pelo Camarada Presidente José Eduardo dos Santos, aquando da realização do Fórum Nacional de Auscultação à Mulher Rural, no ano passado: “A mulher rural ainda é a camada social onde a promoção é muito lenta e ela precisa de mais apoios de todos. É urgente, portanto, promover a formação e capacitação da mulher rural, a todos os níveis, para que esta possa, progressivamente, inserir-se na agricultura de mercado e em outros negócios e participar, com conhecimento de causa, nos conselhos de auscultação e concertação social e nos comités de desenvolvimento rural”.

É importante que não fiquemos pelo mês de Março, para as reflexões que se impõem sobre a mulher.

Essas reflexões deverão ser permanentes e moldar o comportamento de todos, de modo a ser reconhecido e assumido o real valor da mulher, como fonte de amor, de progresso e de esperança.

PortalMPLA/EMS/AB