No MPLA há debate de ideias. Na UNITA não há

Luanda - O presidente da UNITA, na abertura da III Reunião do Comité Permanente da Comissão Política do seu partido, no dia 10 de Julho, disse que “a luta que se trava no país é a luta entre a democracia e a ditadura, é a luta entre Angola e o MPLA”.

Isaías Samakuva deve ter-se esquecido da recente dissidência na sua organização, mais uma. Desde 1989, não têm parado de abandonar a UNITA militantes e dirigentes que lá não têm mais espaço porque no interior da UNITA não há democracia.

Este ano, culminando na impossibilidade de ver mudança na UNITA, Abel Chivukuvuku bateu com a porta de repente. Num dia estava a disputar a presidência da UNITA no outro estava a fazer a CASA, como quem muda facilmente de prato, de peixe para o prato de carne.

Quando Isaías Samakuva chama de “ditadura” ao Executivo de maioria, está a esquecer que esse mesmo Governo governa assediado por partidos da oposição legalmente constituídos e que podem fazer obra oposicionista de acordo com as suas capacidades.

O Executivo é, diariamente, pressionado pela sociedade civil que o fustiga sem parar, para obter a resolução para os múltiplos problemas que ainda existem.

Os poucos anos de paz ainda não permitem solucionar devidamente problemas que demoram décadas e, até, gerações a resolver, como a habitação, a saúde, a educação, o comércio, a indústria, a agricultura. Ditadura é, sim, a impossibilidade de os dirigentes e militantes da UNITA poderem expressar-se no seu seio, não terem espaço, como no MPLA têm os militantes e dirigentes que recusam o unanimismo e usam a arma da crítica construtiva para melhorar os métodos de trabalho, de organização, de resolução dos problemas. 

No MPLA há debate de ideias e de soluções. Na UNITA não há. Tanto não há que todos os dias saem militantes e dirigentes, como foi o caso recente da delegação do Cuanza-Norte, que, em Fevereiro, bateu com a porta e “fugiu” para a CASA-CE.

O MPLA é um partido abrangente e inclusivo onde se pratica a diversidade de opiniões, ao contrário da UNITA, onde se deve obediência cega ao líder.

Se Samakuva defende que as próximas eleições são entre “ditadura e democracia”, como aceitou juntar a sua “candidatura democrática” ao que chama “candidatura ditatorial” do MPLA? Não é incoerente? 

Se Isaías Samakuva diz que tudo até agora é irregular e fraude na Comissão Nacional Eleitoral, como pode aceitar concorrer às eleições no meio de tanta fraude? 

Não é incoerente? Está a aceitar? Para quê? Para depois das eleições voltar a justificar: o partido UNITA perdeu porque houve fraude desde o princípio…

“A luta é entre Angola e o MPLA”, diz Isaías Samakuva. Não é não, Isaías Samakuva. A única luta que já vimos foi a dissidência de Abel Chivukuvuku (ex-candidato à presidência da UNITA) contra si. Não vimos nenhuma luta sair do MPLA, não vimos dirigentes do MPLA abandonando o Partido, para formarem outra organização, arrastando milhares de militantes, como está a acontecer na UNITA.

Eu diria que a única luta a que assisti até agora é a luta “entre Chivukuvuku e Samakuva” – algo a que não se tem dado o devido relevo.

Porque a oposição opõe-se à oposição, saiu do ventre da oposição para fazer oposição, porque na “oposição UNITA” não cabe aquela “oposição CASA”, quer dizer, não há democracia no seio da UNITA. E, então, Samakuva, como consegue aparecer sem se sentir frustrado, envergonhado, humilhado, derrotado pelo golpe do seu ex-amigo Abel Chivukuvuku?

Isaías Samakuva nunca conseguiu que a mais pequena dissidência saísse do MPLA para a UNITA. Isso não quer dizer que a mensagem da UNITA é vazia, sem interesse? 

No MPLA há pluralidade de opiniões, na UNITA há uma só opinião, por isso há tanto descontentamento, por isso há tantas dissidências à vista de todos.
Então, onde há democracia? 

Isaías Samakuva não devia ter moral para falar dela. Formou um “governinho sombra” pomposo, com ministros na sombra e tudo. E onde está a governação na sombra? Ficou mesmo na sombra, não apanhou sol, foi só para americano ver. É com esse “governinho” que a UNITA quer governar? 

Só se for para “parar Angola”, como gosta de dizer.