OPINIÃO: Uso criminoso da liberdade de imprensa – Eduardo Magalhães

“Vimos os resultados desastrosos disso, no Brasil, na Líbia, no Egipto, no Iraque e, agora, na Síria” – 03.05.17.

 

Luanda, 03 MAIO 17 (4ª FEIRA) - O Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, que se comemora neste três de Maio, celebra o direito de todos os profissionais da comunicação social de investigar e publicar informações de forma livre.

Em Angola, a data merece a nossa especial atenção, pois, em tempos de internet, aqueles que criticam a liberdade de imprensa no País são os mesmos que praticam o fenómeno fake news (notícia falsa).

A imprensa que, em todo o Mundo, ainda é chamada de quarto poder, segue firme no encaminhamento da narrativa. Sectores comprometidos com a ética, a deontologia, as linhas editoriais, os conselhos de administração e submetidos a outros instrumentos de avaliação tendem a produzir conteúdos mais responsáveis e rigorosos.

No sentido oposto, surgem publicações que fazem uma combinação de notícias verdadeiras e falsas e tentam, algumas vezes com êxito, difundir mentiras e pós-verdade.

Cientes de que informação é poder, alguns sectores da imprensa aproveitam-se das novas tecnologias, na tentativa de praticar aquilo que sempre criticaram nos órgãos de comunicação (públicos ou privados) que são norteados pela obrigação constitucional do serviço público de comunicação social.

As redes sociais ampliam os canais de comunicação massiva. Alguns formadores de opinião, em todo o Mundo, têm sido cooptados por sectores alheios aos compromissos éticos da comunicação social.

Vimos os resultados desastrosos disso, no Brasil, na Líbia, no Egipto, no Iraque e, agora, na Síria. Campanhas difamatórias, desprovidas de críticas construtivas e projectos que possam ser confrontados com a realidade criticada, abundam. É preciso estarmos atentos!

Os amantes da liberdade de imprensa sabem que a responsabilidade de comunicar os factos contribui para a evolução dos cidadãos, individualmente ou em sociedade. Há, no entanto, a necessidade de repudiarmos o uso criminoso dessa liberdade para a promoção da difamação e destruição de imagens e reputações.

Esta data, que foi criada pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – no ano de 1993, para alertar sobre a impunidade cometida contra centenas de jornalistas que, em diversos países, são torturados ou assassinados, uma demonstração clara da existência de perseguições decorrentes das informações que apuram e publicam, é hoje usada para debater os limites da imprensa.

Esta dialéctica fez-se sentir até mesmo entre os representantes máximos das Nações Unidas e da UNESCO. Nas suas respectivas mensagens para esta efeméride, está claro que é impossível defender a liberdade de imprensa, sem que seja debatido o crescimento do chamado fake news.

PortalMPLA/EM/AB