UNIÃO AFRICANA: 1.º discurso do Presidente João Lourenço

Intervenção feita (28.01.18) na Sede da União Africana, em Addis-Abeba, Etiópia.

 

“Sua Excelência Paul Kagame, Presidente da República do Rwanda e Presidente da União Africana,

Sua Excelência Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana,

Excelências, chefes de Estado e de Governo aqui presentes,

Minhas senhoras,

Meus Senhores,

Sinto-me bastante honrado em fazer uso da palavra nesta magna Assembleia. Quero, em primeiro lugar, felicitar-vos, Senhor Presidente, por ocasião da vossa eleição para presidir aos destinos da nossa organização continental, num momento histórico da sua existência, em que ela está engajada num processo de reforma, que, por sinal, Vossa Excelência tem vindo a liderar com brio e dedicação.

Quero, de igual modo, saudar a acção positiva de Sua Excelência Alpha Condé, Presidente da República da Guiné-Conakry e Presidente cessante. Neste sentido, gostaria de realçar os notáveis avanços que imprimiu, designadamente, no domínio da paz e segurança e da luta contra o terrorismo.

Senhor Presidente,

Tomo hoje a palavra pela primeira vez, na qualidade de Presidente da República de Angola, fruto das quartas eleições realizadas a 23 de Agosto do ano transacto e que foram consideradas pela opinião pública nacional e internacional como tendo sido livres, transparentes e credíveis.

Oferece-me, por conseguinte, a ocasião para agradecer a União Africana por ter testemunhado, através do envio de observadores no terreno, juntando-se a outras organizações e personalidades que também observaram o processo.

Excelências,

Minhas senhoras e meus senhores,

Por ter sido uma das últimas colónias do continente africano a ascender à independência, Angola conhece de perto o sentido e o valor da solidariedade africana expressa, entre outros canais, através da nossa organização continental. Angola beneficiou desses valores morais que caracterizam os povos africanos nos momentos mais difíceis da sua história.

Foi com o mesmo espírito de solidariedade que o povo angolano estendeu, por sua vez, a mão aos nossos irmãos da África austral, na sua luta contra o colonialismo e o apartheid.

Hoje, o nosso continente enfrenta outros desafios, que vão desde os conflitos à pobreza e outros factores endógenos e exógenos que impactam o desenvolvimento e impedem os nossos povos a disfrutar as riquezas que abundam no nosso subsolo.

Precisamos de alterar este quadro, bem como o olhar que o Mundo tem hoje sobre o continente africano.

O primeiro Presidente da República de Angola, Dr. António Agostinho Neto, visionário e poeta universal, ao descrever uma vez o continente africano disse, eu cito: “A África parece um corpo inerte, onde cada abutre vem debicar seu pedaço” fim de citação.

Demos até aqui passos significativos para mudar este quadro, embora restam ainda vestígios. Esses passos foram possíveis porque tomamos consciência das nossas responsabilidades como continente e da necessidade de definir as nossas próprias prioridades, bem como falar a uma só voz, quando necessário.

No entanto, importa reforçarmos a nossa acção e adaptá-la às exigências da actual conjuntura internacional, incluindo no âmbito das parcerias que estabelecemos com o resto do Mundo.

Esta situação requer de nós um sentido de missão, enaltecendo os valores de solidariedade que nortearam a acção dos países fundadores da Organização da Unidade Africana (OUA), hoje União Africana.

Precisamos de imprimir uma nova dinâmica e introduzir métodos inovadores, orientados para acções concretas, porque, afinal, temos a responsabilidade primária de transformar o nosso continente e corrigir, assim, o paradoxo africano que permanece inexplicável e intolerável, o de ser um continente rico em recursos naturais, mas assolado pela pobreza.

Estou convencido que vossas excelências partilham o sentimento que aqui exprimo.

Finalmente, quero reafirmar o engajamento da República de Angola para a com a nossa organização continental e reiterar a disponibilidade do Governo e do povo angolanos em contribuir, consoante as suas possibilidades, para fazer da União Africana uma Instituição em que todos os povos africanos se revejam e que responda com eficácia os seus anseios.

Para o efeito, precisamos de dotá-la dos meios necessários, sendo factor determinante, a vontade política de cada um de nós.

Muito obrigado”.

PortalMPLA/