Visita da Presidente do Chile (12.08.14): Discurso do PR JES

“Desejamos (…) estabelecer uma cooperação abrangente com o Chile, pois, sabemos que é a economia mais competitiva da América Latina e conhecemos o seu potencial académico, científico, tecnológico e profissional e a capacidade dos seus empresários, para identificar oportunidades de negócios”.

 

Luanda, 12 AGOSTO 14 (3ª FEIRA) - Na abertura de conversações oficiais, nesta terça-feira (12), no Palácio Presidencial, em Luanda, entre delegações das Repúblicas de Angola e do Chile, no âmbito da visita oficial, de dois dias, da Presidente Michelle Bachelet, o Chefe de Estado angolano, Camarada José Eduardo dos Santos, proferiu o seguinte discurso:

“Sua Excelência Michelle Bachelet, Presidente da República do Chile,

Senhores membros das delegações angolana e chilena,

Minhas senhoras e meus senhores,

Sabemos que Vossa Excelência dá uma grande atenção ao desenvolvimento das relações do Chile com o nosso país e agradeço por ter aceite o meu convite, para realizar esta visita oficial a Angola.

Espero que possa, durante a sua estadia, apreciar o espírito hospitaleiro e a amizade e solidariedade que o povo angolano dedica ao povo chileno.

Reitero as minhas felicitações, pela sua recente reeleição para a Presidência do Chile, o que demonstra a confiança e a admiração que os eleitores têm por Vossa Excelência e o apoio que dedicam à política e realizações do seu primeiro mandato.

Apesar de nunca ter acontecido entre Angola e o Chile um encontro directo ao mais alto nível, as relações entre os nossos dois países datam de há muito e só a situação interna de ambos e a conjuntura internacional explicam por que razão esse momento foi sendo sucessivamente adiado ao longo do tempo.

O importante é que hoje, finalmente, podemos abordar, juntos, o nível da nossa cooperação e perspectivar um novo rumo no nosso relacionamento bilateral, com reciprocidade de vantagens.

Sabemos que o Chile tem tido, sob a sua liderança, um desempenho económico excepcional e que, na base da prosperidade chilena, está a estabilidade económica, política e a elevada preparação do seu capital humano.

Só quando pôs fim ao conflito armado é que Angola pôde enveredar por um processo de consolidação das instituições democráticas, de reforço da coesão social, de disciplina financeira e de estabilização macroeconómica.

Nestes últimos 12 anos, com efeito, estamos a solucionar, paulatinamente, os principais desafios sociais e o país pôde encetar uma nova fase de desenvolvimento, estando a sua economia entre as que mais cresce no Mundo.

Hoje, temos em fase de implementação um programa de desenvolvimento de longo prazo, que nos irá permitir diversificar a nossa economia, aumentar a oferta de emprego e dar solução aos principais problemas, no domínio da educação e formação técnica, da saúde e saneamento básico, do acesso à energia eléctrica e água, da habitação e muitos outros.

Desejamos, para esse efeito, estabelecer uma cooperação abrangente com o Chile, pois, sabemos que é a economia mais competitiva da América Latina e conhecemos o seu potencial académico, científico, tecnológico e profissional e a capacidade dos seus empresários, para identificar oportunidades de negócios.

Neste sentido, pretendemos estabelecer cooperação nas áreas da Ciência, Tecnologia, Inovação e Gestão, com vista a garantir a formação de recursos humanos qualificados e altamente qualificados, necessários ao aumento da competitividade da nossa economia.

Por essa razão, esperamos que se realizem encontros temáticos entre responsáveis dos sectores da educação e das comunidades académico-científicas, de Angola e do Chile.

Neste domínio, pretendemos contar com o apoio e a experiência acumulada das instituições chilenas de coordenação e de regulação do Ensino Superior, para o reforço da capacitação institucional das congéneres angolanas, nos domínios da acreditação, certificação e garantia da qualidade.

Por outro lado, sugerimos a elaboração de um programa executivo de acções de cooperação económica, a desenvolver a curto, médio e longo prazo, entre os nossos dois países, criando-se, para o efeito, uma Comissão Bilateral de Cooperação.

Esta comissão terá por incumbência promover a cooperação pública e privada, nos domínios dos petróleos; da geologia e minas; das pescas; das indústrias transformadora, química, farmacêutica e metalúrgica; bem como nas áreas da gestão de pequenos aeroportos, da construção naval, da organização e apoio da agricultura familiar e, ainda, na promoção de troca de experiências, no domínio da organização do sector do comércio a retalho.

A experiência chilena, de aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, também encontra eco entre nós, pois Angola é dos países africanos onde o seu papel, na política, na economia e na sociedade, tem maior expressão.

Com a actual reaproximação e reforço das nossas relações, os nossos dois países podem representar uma mais-valia na abertura aos diversos espaços regionais em que estão inseridos, tanto na América do Sul como em África.

Consideramos que a democratização das relações internacionais é um factor importante, para um melhor entendimento entre os Estados, pelo que advogamos o diálogo como a melhor via para a resolução e prevenção dos conflitos e diferendos, para promover a compreensão e a cooperação entre os povos em prol do desenvolvimento e do bem-estar da humanidade.

Podemos, pois, avançar juntos, porque nos une a mesma vontade de construir sociedades abertas, plurais, democráticas e inclusivas. 

Desejo a Vossa Excelência as boas-vindas a Angola e os maiores êxitos na sua vida pessoal e política.

Muito obrigado!”.

PortalMPLA/AB