Deolinda Rodrigues

O seu nome completo é Deolinda Rodrigues Francisco de Almeida “Langidila” (nome de Guerra). Nasceu em Catete no dia 10 de Fevereiro de 1939, é filha de um casal de professores primários e a terceira de cinco irmãos. O pai partilhava as tarefas do ensino com as de pastor evangélico. Roberto de Almeida, actual vice-presidente do MPLA, é um dos irmãos de Deolinda Rodrigues.

Na era colonial, a sua região natal foi cenário de revoltas populares por causa da exploração cruel das companhias de algodão contra os trabalhadores cujas reivindicações justas eram reprimidas com a mais dura violência. Desde pequena, Deolinda revoltou-se contra esta vida de humilhação, miséria e opressão, o que despertou nela um profundo sentimento patriótico.

Quando era criança viveu em N’Dalatando (Kwanza-norte), Caxicane, Catete (Bengo), lugares onde o pai fora destinado a prestar os serviços religiosos. Iniciou os estudos em Luanda, onde tinha mudado em 1954 com a mãe e os irmãos. Quando a mãe voltou para junto do seu pai, ela e os irmãos ficaram ao cuidado de uma tia, dona Maria da silva, mãe de Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola.

Durante os meses de férias, Deolinda e os irmãos voltaram para casa dos pais e ajudavam-lhes nas tarefas agrícolas já que a volta da casa tinha uma lavra onde cultivavam milho, mandioca e ginguba para o sustento familiar.

Deolinda desde muito jovem escrevia muito, tendo dirigido um boletim que era editado pela missão metodista, no qual publicava os seus poemas e novelas, cujo tema foi a Pátria, Angola e o combatente contra as injustiças que sofria o povo.  

De acordo com alguns depoimentos, Deolinda tivera realizado algumas actividades junto do Partido da Luta Unida de Angola (PLUA), de tendências independentistas, criado depois da segunda guerra mundial, e um dos que se uniu ao MPLA quando juntaram-se as organizações nacionalistas existentes. Actividades que podem ter-se realizado sob a orientação de Matias Migueis, também ligado a Missão metodista à qual a Deolinda pertencia.

Deolinda Rodrigues ingressou no MPLA pouco depois da sua constituição. Como aos demais jovens incorporados, as tarefas atribuídas eram as de realizar reuniões e explicar os princípios do Movimento, traduzir documentos do português para o inglês ou vice-versa, muito dos quais estavam destinados para o exterior, preparar panfletos e viajar para o exterior para estabelecer contactos.

Em 1959, Deolinda Rodrigues obteve na missão evangélica uma bolsa de estudos para ir estudar sociologia no Brasil. Um ano e meio depois de lá estar foi obrigada a partir porque os governos de Portugal e do Brasil tinham assinado um acordo de extradição. Daí partiu para Ilinóis, Estados Unidos, para continuar os seus estudos, aumentando os seus contactos políticos com pessoas que passavam por lá e com diplomatas de diversos países africanos. Nos Estados Unidos, Deolinda não terminou os seus estudos porque decidiu regressar à África e dedicar-se à luta.  

Depois de uma curta estadia em Conacri, Guiné, a desenvolver trabalhos do movimento mudou, em 1962, para Kinshasa, onde se encontrava a direcção do MPLA, sendo responsável do corpo voluntário de assistência aos angolanos refugiados (CVAAR), organização que prestava ajuda médico-social a cerca de três mil angolanos aí refugiados. Em Kinshasa, Deolinda ajudou a criar as estruturas da OMA e mais tarde foi secretária da sua secção médica. Na primeira Conferencia Nacional do MPLA realizada em fins de 1962, foi eleita membro do Comité Director, ocupando o cargo de responsável pelo Departamento de Assuntos Sociais.

Em 1963, quando o governo reaccionário do Zaire expulsou o MPLA e obrigou-o a transferir a sua sede para Brazzaville, Deolinda Rodrigues continuou prestando apoio aos refugiados, organizou aulas de alfabetização em que participou activamente e trabalhou como locutora no programa de rádio do MPLA”A voz de Angola combatente”.

De salientar, que Deolinda efectuou várias viagens internacionais, destacando entre o dia 15 de Outubro e o 15 de Novembro de 1965, para Bulgária, Áustria e União Siviética, onde agradeceu a possibilidade concedida aos jovens angolanos para estudarem nestes países.

Após ter regressado à República do Congo, ela continuou os seus trabalhos, permanecendo nas zonas de guerrilha da Segunda Região, em Cabinda, no CIR de Dolise, e no acampamento de kalunga, por volta de Maio de 1966.

Em Outubro de 1966 foi seleccionada para fazer parte com outros militantes, do Esquadrão Camy, que deveria iniciar em breve o seu treino político-militar, e assim, finalmente, ela iria materializar o seu mais fervescente desejo: Empunhar o fuzil da liberdade.

No dia 02 de Março de 1967, Deolinda Rodrigues e mais cinco responsáveis da Organização da Mulher Angolana: Engrácia dos Santos, Irene Cohen, Lucrécia Paim e Teresa Afonso foram raptadas em Kamuna, Congo Kinshasa, pelos carrascos da UPA (FNLA), quando regressavam de uma missão nas selvas do interior do país contra o colonialismo português, tenso sido levadas nas celas do campo de concentração de Kinkuzu (base militar da UPA, onde viriam posteriormente a morrer em momento e circunstancias até agora não esclarecidas. Mas sabe-se de algumas testemunhas que Deolinda Rodrigues foi esquartejada viva.