DISCURSO PROFERIDO PELO PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO NA ABERTURA DO 8º CONGRESSO ORDINÁRIO DA OMA

Luanda – 28.02.2026 – Camarada Mara Quiosa, Vice-Presidente do MPLA;

Camarada Paulo Pombolo, Secretário-Geral do MPLA;

Camarada Joana Tomás, Secretária-Geral da OMA;

Camaradas Membros do Secretariado do Bureau Político;

Ilustres Convidadas;

Camaradas Delegadas do 8º Congresso Ordinário da OMA,

É com profundo orgulho que saúdo este 8º Congresso Ordinário da OMA, espaço soberano de reafirmação do papel da mulher na vida do MPLA.

Estamos a escassos dias do início do mês de Março, mês dedicado à mulher angolana e à mulher de todo o mundo.

Antecipadamente, desejo um feliz Março Mulher e aproveito esta sublime oportunidade para o reconhecimento que se impõe, prestando uma justa e merecida homenagem às nossas heroínas, nomeadamente a Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Lucrécia Paim, Teresa Afonso e Engrácia dos Santos, bem como a todas as mulheres que já não se encontram entre nós.

Saúdo igualmente todas as mulheres angolanas do campo à cidade, da base aos escalões mais altos da OMA, do Partido e da nossa sociedade angolana, que apesar das adversidades, continuam a sustentar famílias, a educar gerações, a dinamizar comunidades e a participar activamente na vida política, social e económica do nosso país.

A OMA não é apenas uma organização de massas do Partido, é um dos seus pilares históricos e estruturantes.

É com as mulheres, com o seu sacrifício, a sua coragem e entrega à causa da libertação nacional, da paz, da reconciliação e da reconstrução do país, que o MPLA continua a se afirmar como força dirigente da Nação.

Continua a ser com as mulheres que o MPLA se fortalece, se projecta para o futuro e se prepara para vencer os desafios políticos, económicos e sociais do nosso tempo.

As mulheres angolanas são o rosto da resistência quotidiana e a base real da coesão social. Onde o Estado ainda não chega com a rapidez que desejamos, muitas vezes são as mulheres das comunidades que asseguram a estabilidade, a sobrevivência e a esperança dos cidadãos.

Entramos num momento político decisivo para o Partido e para o país.

A preparação do IX Congresso Ordinário do MPLA e o caminho para as eleições gerais de 2027, exigem uma OMA mais mobilizadora, organicamente mais coesa e cada vez mais inserida na sociedade.

A vitória do MPLA será em grande medida, uma vitória construída nos bairros, nas comunidades, nos mercados, nas igrejas, nas escolas e nas famílias, espaços onde a mulher tem influência directa e determinante.

A participação política da mulher é uma exigência de justiça histórica, uma condição de legitimidade democrática e uma necessidade estratégica para a qualidade da governação.

Não há desenvolvimento sustentável sem igualdade de género, não há democracia sólida sem mulheres nos espaços de decisão, não há transformação social profunda sem o protagonismo e liderança feminina na política, na economia e na vida comunitária.

A OMA deve continuar a ser uma força política activa na defesa da dignidade da mulher, no combate à violência baseada no género, na promoção da autonomia económica, no acesso à educação, à saúde, ao emprego digno e à participação efectiva da mulher nos centros de poder.

Onde haver injustiça contra a mulher, a OMA deve estar presente com firmeza política, com coragem cívica e com capacidade de mobilização social.

O Lema deste Congresso; “Mulher Angolana: Unidas para Transformar os Desafios em Conquistas”, não é apenas uma palavra de ordem.

O MPLA e o Executivo angolano, contam com a OMA como parceiro na luta contra a pobreza, o desemprego, as desigualdades sociais, a violência contra os mais vulneráveis entre eles a própria mulher, a criança e os velhos, contra a exclusão económica e social.

Contamos com a OMA nas campanhas de alfabetização, na luta contra a gravidez precoce das meninas adolescentes e suas graves consequências, contamos convosco na luta contra o abandono escolar dos meninos e meninas independentemente das aparentes razões evocadas, nos programas de educação sexual e de controlo da natalidade.

Contamos com a força, a autoridade moral e influência da OMA, na luta contra o comportamento criminoso das famílias que expulsam de seus lares os próprios filhos, acusando-os sem fundamento de serem feiticeiros.

A OMA deve levar muito a sério o combate contra a mutilação genital feminina, crime que não pode ser justificado e encoberto por alegadas razões de ordem cultural ou mesmo religiosa.

Reconhecemos e valorizamos a força transformadora das mulheres quando organizadas, conscientes do seu papel histórico e alinhadas com um projecto político claro para o país.

Neste momento de renovação e continuidade, não podemos deixar de reconhecer o papel desempenhado pela Camarada Joana Tomás na preservação e consolidação desta etapa do ciclo de trabalhos da OMA.

Uma palavra de agradecimento, vai também para as camaradas Luzia Inglês Van-Dúnen “Inga” e Ruth Neto, pelo seu contributo à causa da emancipação e dignificação da mulher, enquanto dirigiram os destinos desta Organização Feminina.

À direção da OMA que vai sair deste Congresso, exige-se visão estratégica, capacidade de escuta, proximidade às bases, disciplina partidária e coragem política para enfrentar os problemas reais das mulheres.

A mulher angolana ainda enfrenta inúmeros desafios, mas devemos reconhecer que foram feitos muitos avanços que serão consolidados com as políticas públicas e sociais em curso, com vista a assegurar a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres em todos os domínios da nossa sociedade.

A OMA deve reforçar o seu papel na mobilização eleitoral, na formação política das militantes, no apoio ao empreendedorismo feminino, na promoção da agricultura familiar, na transição da economia informal para a formal e na criação de redes de solidariedade económica que fortaleçam a autonomia das mulheres.

Camaradas,

Queremos um país mais justo, mais próspero e mais estável, com mulheres empoderadas, educadas e economicamente activas.

A mulher angolana é uma força central da transformação nacional, porque quando as mulheres avançam, o país se fortalece e Angola consolida o seu caminho de estabilidade, desenvolvimento e preservação da soberania nacional.

Minhas Senhoras, Meus Senhores

Camaradas

Para além dos sacrifícios consentidos por milhões de angolanos de várias gerações, Angola é hoje um país em paz, com estabilidade política e social e em franco desenvolvimento económico, graças também à solidariedade internacional de que beneficiamos em todas as fases da nossa luta pela Independência e Soberania Nacional, pela Reconstrução Nacional, pela nossa afirmação como Nação.

Por esta razão, aproveitamos esta ocasião para manifestarmos a nossa solidariedade para com todas as mulheres que na RDC, no Sudão, na Ucrânia e na Palestina, em particular na Faixa de Gaza, ainda sofrem junto a seus filhos e familiares, os horrores da guerra.

Temos fé que a paz justa chegará a esses territórios e que as mortes de milhares de cidadãos e a destruição das infraestruturas, darão lugar ao desenvolvimento económico e social e à prosperidade.

Que deste Congresso saiam orientações claras, uma direção legitimada, uma agenda política mobilizadora e a firme determinação de transformar desafios em conquistas reais para as mulheres e para o povo angolano.

Viva a Mulher Angolana!

Viva a OMA!

Viva o MPLA!

A Luta Continua!

A Vitória é Certa!

Muito obrigado pela vossa atenção.