JLO, OBRIGADO POR NOS ENSINARES QUE A PAZ TAMBÉM SE CONSTRÓI COM CORAGEM, MEMÓRIA E PERDÃO

A inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos em Angola representa muito mais do que a abertura de um espaço físico: simboliza o reconhecimento de uma dor colectiva e a esperança de uma Nação que procura reconciliar-se com a sua própria História.

Por isso, considero justo enaltecer o posicionamento do Presidente João Lourenço, que, em 2019, permitiu a realização do funeral condigno do Dr. Jonas Malheiro Savimbi e promoveu iniciativas de reconciliação nacional, incluindo o reconhecimento das vítimas, o pedido de desculpas à Nação e a criação da CIVICOP.

Apesar das críticas e das divergências, o Presidente manteve aberta a porta da reconciliação, demonstrando que governar também exige coragem para enfrentar feridas históricas e procurar caminhos que aproximem os angolanos.

Nós, os filhos da guerra, conhecemos o verdadeiro preço da paz!

Perdemos pais, irmãos, tios, primos, amigos e companheiros de vida. Crescemos marcados pela dor, pela ausência e pelas consequências de um conflito que dividiu famílias e comunidades. Por isso, sabemos que nenhuma vitória política consegue devolver uma vida perdida.

Foi essa experiência dolorosa que nos ensinou o valor de abraçar e perdoar. Perdoar não significa esquecer, muito menos apagar responsabilidades históricas. Significa recusar que a dor do passado continue a alimentar o sofrimento das gerações futuras.

O memorial que hoje se inaugura não deve ser apenas de pedra, mas também espiritual. Cada angolano deve colocar diariamente uma pedra na construção da reconciliação, através da tolerância, do respeito, do diálogo e do amor à Pátria.

Não podemos continuar a alimentar discursos inflamados que transformam divergências políticas em sentimentos de revolta e hostilidade social. A democracia exige crítica, oposição e liberdade de expressão, mas exige igualmente responsabilidade na preservação da paz.

Quem viveu directamente a guerra compreende que a paz não é uma conquista banal. É um bem precioso que precisa de ser protegido todos os dias. A experiência de outras nações pode ensinar-nos muito, mas Angola deve retirar também lições profundas da sua própria História.

Ao longo dos seus dois mandatos, João Lourenço promoveu iniciativas que procuraram contribuir para a reconciliação nacional. Isso não significa ignorar os desafios económicos e sociais do País, nem renunciar ao direito de criticar a governação. Significa reconhecer que, independentemente das nossas diferenças, existem gestos que merecem ser valorizados pelo seu potencial de unir a Nação.

A partir de hoje, ninguém deve esperar apenas pelo Presidente ou pelo Governo para que a reconciliação aconteça. Cada um de nós deve tornar-se um construtor desta empreitada patriótica.

Que as famílias, as escolas, as igrejas, os partidos políticos e as instituições assumam a responsabilidade de cultivar uma cultura de paz. Que ensinemos os nossos filhos a conhecer a História sem transformar os mortos em instrumentos de ódio contra os vivos.

Presidente João Lourenço, escrevo estas palavras não para abdicar do meu pensamento crítico, mas para reconhecer os passos que considero importantes para a pacificação dos espíritos e a construção de uma Angola reconciliada.

A ti, JLO, obrigado!

Obrigado por manteres aberta a porta da reconciliação nacional, num País que ainda procura curar as feridas de uma guerra dolorosa.

Que este memorial seja um lugar de dignidade, reflexão e união. Que a memória dos nossos mortos se transforme numa responsabilidade perante os vivos.

A guerra já nos tirou demasiado. Não permitamos que o ódio nos roube também o futuro!

A PÁTRIA ACIMA DAS NOSSAS DIFERENÇAS. A PAZ ACIMA DAS NOSSAS MÁGOAS. A RECONCILIAÇÃO COMO HERANÇA PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES!

POR: MIRALDINO CAFUSSA