JOÃO LOURENÇO DEFENDE CICATRIZAÇÃO DAS FERIDAS DO CONFLITO ARMADO

Luanda, 15 de outubro de 2026

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu nesta quinta-feira (15 de outubro) a necessidade de cicatrizar as feridas deixadas pelo longo conflito armado em Angola. O Chefe de Estado considerou a reconciliação nacional um passo fundamental para a consolidação da paz, o reforço da unidade entre os cidadãos e a promoção do desenvolvimento do País.

No discurso proferido durante a Plenária Solene de Abertura da 5.ª Sessão Legislativa da V Legislatura da Assembleia Nacional, João Lourenço sublinhou a importância de superar as consequências de décadas de guerra, que provocaram a morte de milhares de angolanos e deixaram marcas profundas em numerosas famílias.

Interesses nacionais acima das divergências do passado

O Presidente apelou igualmente ao fim dos estereótipos políticos e defendeu que os interesses nacionais devem prevalecer sobre as diferenças e divergências do passado, de modo a contribuir para a construção de uma sociedade mais unida e comprometida com o desenvolvimento.

Abordou também a necessidade de reconhecer o sofrimento das famílias afetadas pelos conflitos políticos e armados, destacando a importância de homenagear as vítimas e de preservar a memória coletiva como parte integrante do processo de reconciliação nacional.

Pedido público de desculpas e criação da CIVICOP

Segundo o Presidente da República, em 2021 tomou a iniciativa de apresentar um pedido público de desculpas às famílias que permaneceram enlutadas, muitas das quais não tiveram a oportunidade de realizar funerais condignos para os seus entes queridos. No âmbito desse processo, foi criada a Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação e Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP).

“Tomei a iniciativa de fazer um pedido de desculpas públicas pelos crimes cometidos durante o conflito armado”, afirmou João Lourenço, numa mensagem centrada no reconhecimento do sofrimento das vítimas e na necessidade de promover a reconciliação entre os angolanos.

Memorial como marco simbólico

Na sua última Mensagem sobre o Estado da Nação enquanto Chefe de Estado, João Lourenço destacou igualmente a inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos. Considerou-a um marco simbólico no reconhecimento das vítimas, na preservação da memória histórica e na valorização do sofrimento vivido por milhares de cidadãos e respetivas famílias.

O Presidente da República concluiu que a reconciliação nacional continua a ser fundamental para superar as divisões do passado, fortalecer a convivência pacífica e consolidar a unidade entre os angolanos, em prol de um futuro de paz e desenvolvimento.