Luanda, 24 de maio de 2026
No dia assinalado para o Luto Nacional em homenagem às vítimas dos conflitos armados, líderes de várias confissões religiosas reconhecidas em Angola reuniram-se (22 de maio) com a Vice-Presidente do MPLA, Mara Quiosa, para abordar questões ligadas à vida interna do país, com destaque para paz e reconciliação nacional. O encontro consolidou-se como espaço de diálogo entre instituições religiosas e estruturas políticas, refletindo a importância da cooperação multi-institucional na construção de consensos nacionais.
Parcerias institucionais e apoio às comunidades
O reverendo Miguel Muchica, representante legal da Igreja Evangélica Pentecostal em Angola, afirmou que a reunião teve como objetivo apresentar cumprimentos institucionais e expor preocupações da Igreja. Segundo o líder religioso, as preocupações estão relacionadas com a parceria existente entre Estado e igrejas, defendendo a necessidade de diálogo permanente entre as partes para alinhar ações e fortalecer relações que beneficiem instituições religiosas e população em geral.
“A Igreja tem uma parceria com o Estado. Consideramos fundamental dialogar para expor algumas situações e partilhar palavras de orientação. Aproveitamos igualmente para reconhecer e manifestar apreço pelo trabalho desenvolvido pelo Partido no poder”, afirmou.
Miguel Muchica destacou os esforços do Executivo no apoio às igrejas, sobretudo através da cedência de templos para funcionarem como salas de aula em várias comunidades, numa altura em que ainda existem carências de infraestruturas escolares. O reverendo considerou que o país deve continuar a reforçar esforços em prol da reconciliação nacional e desenvolvimento social.
Vandalismo prejudica progresso nacional
O apóstolo Elias Pedro, representante legal da Igreja Assembleia Missionária Cristã (AMC), manifestou preocupação com actos de vandalismo praticados por alguns jovens, considerando que tais comportamentos prejudicam o progresso do país. “Muitas vezes, bens públicos construídos com grande esforço pelo Executivo são destruídos. Essa situação não é aceitável. A nossa mensagem é de apoio e protecção ao património público, que beneficia todos os cidadãos”, afirmou.
Relativamente ao Luto Nacional, Elias Pedro considerou que o momento simboliza reconhecimento, humanidade e respeito pela memória das vítimas dos conflitos armados. “A mensagem de perdão reiterada pelo Presidente da República fortalece o propósito da Igreja e incentiva a prática da caridade. É importante homenagearmos aqueles que nos precederam”, declarou.
Igrejas como parceiras em projectos sociais
Elias Pedro reforçou que a Igreja continua a atuar como parceira do Estado em vários projetos sociais, sobretudo em alfabetização, educação comunitária e apoio às populações vulneráveis. A AMC desenvolve iniciativas de assistência social em zonas onde o Estado enfrenta maiores dificuldades, contribuindo para o bem-estar das comunidades e complementando os esforços governamentais.
Eleições 2027: momento de celebração e união
Sobre as eleições gerais de 2027, Elias Pedro defendeu que o processo eleitoral deve decorrer num ambiente de paz, civismo e união nacional. “Apesar de, em muitos países africanos, os períodos eleitorais serem associados à instabilidade, em Angola as eleições devem representar um momento de celebração“, disse.
O líder religioso apelou aos atores políticos e à juventude para preservarem a paz, reconciliação nacional e património comum durante o período eleitoral. “Exortamos os políticos e a sociedade em geral a protegerem o património público e a preservarem a paz e o equilíbrio social”, concluiu, consolidando a posição das igrejas como defensoras de valores cívicos e democraticos.




