Luanda, 7 de maio de 2026
O diplomata e antigo combatente António Serão Nunes apresentará, no próximo dia 4 de junho, na União dos Escritores Angolanos, seu primeiro romance autobiográfico, uma obra que mergulha nas memórias da resistência angolana durante o período colonial português. Mais do que um relato pessoal, o livro traça um retrato sensível e marcante de uma geração profundamente afectada pela opressão, violência estrutural e negação da identidade impostas pelo regime colonial, consolidando-se como importante documento literário e político.
A narrativa acompanha “Tuneco”, personagem central que se confunde com o próprio autor, cuja infância é abruptamente marcada pela realidade da dominação portuguesa nos anos 1950. Com apenas doze anos, Tuneco inicia uma crescente tomada de consciência política e humana na província do Uíge, especificamente em Negage, região historicamente associada às primeiras manifestações organizadas de resistência ao sistema colonial.
Negage como epicentro de resistência
É precisamente neste território, que viria a tornar-se um dos epicentros das revoltas de 1961, que a obra adquire maior densidade histórica e simbólica. O romance percorre a infância difícil, mas resiliente, de um povo submetido a políticas de exploração, trabalho forçado e segregação racial, práticas amplamente documentadas no contexto do império colonial português em África. Simultaneamente, evidencia o despertar de uma consciência coletiva que alimentaria os movimentos de libertação nacional.
Memória individual e história colectiva
A escrita de António Serão Nunes destaca-se pela capacidade de entrelaçar memória individual e história colectiva, proporcionando uma reflexão profunda sobre os fundamentos da nação angolana, a dignidade humana e o preço da liberdade. A obra ultrapassa o simples testemunho pessoal, afirmando-se como documento político de relevância para compreender as raízes da Angola contemporânea.
Entre dor e esperança, o autor conduz o leitor por cenários emocionais e históricos que revelam não apenas a dureza da infância sob o jugo colonial, mas também a força transformadora da resistência. A obra convoca a memória, revisita o passado e reafirma a identidade de um povo profundamente marcado pela experiência colonial.
Evento de lançamento
O lançamento do romance constituirá um importante momento de reflexão sobre a memória histórica angolana, oferecendo uma plataforma para o diálogo entre gerações sobre as experiências vividas durante a dominação portuguesa e seus efeitos duradouros na construção da identidade nacional.
